Os corpos das quatro vítimas que morreram após a queda do avião da Paramazônia Táxi Aéreo fretado pelo Exército Brasileiro foram removidos para o Instituto Médico Legal (IML) na tarde desta segunda-feira (3).

A aeronave caiu na manhã desta segunda em uma área de mata no município do Cantá, interior de Roraima, logo após decolar.

Este foi o segundo acidente envolvendo um monomotor da Paramazônia em pouco mais de duas semanas. Há 20 dias uma aeronave conduzida pelo piloto Elcides Rodrigues Pereira, de 64 anos, o ‘Peninha’, deu pane e ele teve de fazer um pouso forçado em um rio na selva amazônica. Ele sobreviveu ao pouso forçado mas morreu após a empresa tentar resgatá-lo por conta própria.

Uma pessoa sobreviveu ao acidente desta segunda e está internada em estado grave no Hospital Geral de Roraima com 50% do corpo queimado.

Entre os mortos está o piloto Marcos Costa Jardim, o comandante Jardim. As outras vítimas e o sobrevivente eram servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Os nomes ainda não foram divulgados. (Veja nota do Ibama na íntegra ao fim do texto).

De acordo com o chefe da Defesa Civil, coronel Doriedson Ribeiro, tinham cinco pessoas na aeronave. A resgatada com vida foi socorrida logo após o acidente pela própria empresa dona do avião e levada ao Hospital Geral de Roraima, em Boa Vista.

As causas do acidente estão sendo investigadas. Equipes da Polícia Federal, Ibama, Polícia Civil, Defesa Civil e Exército estiveram no local onde o avião caiu para ser feita a perícia.

O assessor do Exército em Roraima, major Rodrigo Luiz, disse que as vítimas do acidente iriam para a Terra Indígena Yanomami.

“Todos estavam atuando na Operação Curare VIII. É uma ação de interagências com a Polícia Federal, Ibama e Exército. Ainda não sabemos quem são as vítimas, mas estamos nos solidarizando com os colegas e prestando apoio necessário, tentando identificar os nomes das pessoas que morreram”, diz o major.

A ‘Operação Curare VIII’ visa combater atos ilícitos em toda extensão da fronteira e crimes ambientais em Roraima. As ações são coordenadas pela 1ª Brigada de Infantaria de Selva.

De acordo com a Defesa Civil, a aeronave caiu em uma região de mata no fim da pista de pouso da Paramazônia e pegou fogo. O acidente ocorreu logo após a decolagem, por volta das 11h15 (12h15 de Brasília).

Empresa afirma que avião estava regular

Em nota, o diretor da Paramazônia Táxi Aéreo, Arthur Neto, lamentou o acidente e disse que a aeronave estava com todas as suas revisões, itens de segurança e manutenções em dia.

De acordo com a nota, o piloto também estava com suas habilitações e todos os treinamentos em ordem.

A Paramazônia disse ainda que “estão sendo tomadas todas as providências necessárias para que as causas do acidente sejam investigadas pelos órgãos competentes da Aeronáutica”.

A empresa dona do avião é mesma que fez um resgate frustrado do piloto Elcides Rodrigues Pereira, de 64 anos, o ‘Peninha, no dia 14 de junho.

Na ocasião, Peninha havia feito um pouso forçado em um rio na selva amazônica, mas morreu quando o dono da Paramazônia tentou resgatá-lo usando cordas. Na aeronave estava também o técnico em enfermagem Ednilson Cardoso, de 28 anos, que sobreviveu à queda e ao resgate da empresa.

Íntegra da nota do Ibama

Quatro pessoas morreram e uma foi socorrida em estado grave após a queda de uma aeronave fretada pelo Exército que transportava servidores do Ibama nesta segunda-feira (03/07) em Roraima. Não foi possível confirmar a identidade do sobrevivente até a noite desta segunda. As famílias dos agentes ambientais federais que embarcaram foram avisadas.

O voo partiu de Boa Vista (RR) e seguiria para a Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Ibama e Exército realizam na região a operação Curare, de combate a garimpos ilegais.

“Extremamente consternado, o Ibama enaltece a dedicação desses jovens, que dedicaram suas vidas à defesa da Amazônia, e se solidariza com os parentes na imensa dor causada por essa tragédia”, disse o diretor de Proteção Ambiental do Instituto, Luciano Evaristo.

A presidente do Ibama, Suely Araújo, manifestou pesar pela morte dos servidores. “O Ibama está em luto. Não é fácil aceitar a morte de colegas que vivenciam conosco a luta diária pela causa ambiental. Nossos mais sinceros sentimentos às famílias pela irreparável perda sofrida hoje.”

Fonte: G1