Começou ontem ( 4) em Sergipe o XI Congresso Brasileiro de Agroecologia. É diante do cenário de desmonte das políticas ambientais que o menor Estado da Federação sedia o maior evento de agroecologia nacional. Compreender tal antítese, ou seja, o porquê de Sergipe, mesmo sendo não tão central para a política, promover o CBA em 2019, é entender processos prévios de lutas pela agroecologia que antecederam os dois anos de construção do Congresso. É, sobretudo, reconhecer a importância da Rede Sergipana de Agroecologia e sua trajetória.

A gente ficou surpreso de receber a tarefa do CBA, mas entendeu também que é o reconhecimento de muita coisa que fizemos aqui no Estado, porque a RESEA além de ser um polo aglutinador dos Movimentos Sociais da agrooecologia, trouxe propostas que a luta política agroecológica nacional indicou para a gente. Foram 3 anos seguidos de caravanas agroecológicas e culturais, encontro sergipano de agroecologia. Pautamos desde a antiga gestão do Governo do Estado, políticas públicas para se discutir legislação de sementes e até mesmo contribuir para a política agroecológica nacional, mostrando que a força agroecológica de Sergipe vem dos Movimentos Sociais. Jorge Rabanal, coordenador da RESEA.

Discutir agroecologia, diante da conjuntura de liberação de agrotóxico por parte do governo federal, derramamento de óleo nas praias do Nordeste e queimada na Amazônia, na qual o campesinato, dentro de sua complexa heterogeneidade (pequenos agricultores, ribeirinhos, pescadores artesanais, povos das florestas, etc…) é a classe mais atingida, coloca sobre nós do MPA a tarefa histórica de se somar na construção do Congresso e pautar que a defesa do meio ambiente e da agroecologia camponesa é a defesa de uma nação soberana em denúncia ao governo Bolsonaro.

Há dois anos, viemos construindo de forma intensa o Congresso pela importância dele para a região nordeste, buscando envolver os camponeses nesse processo. Hoje o MPA chegou aqui com uma delegação de 150 pessoas, entre camponeses e militantes de todo o Brasil, sendo a maioria daqui do nordeste. Estamos participando de quase todos os espaços de diálogos (metodologia de divisão das atividades que acontecem no CBA): feira de saberes, terreiro das tradições e espaços de cultura. Além disso, o Teatro Raízes Nordestinas (grupo de teatro do MPA Sergipe) fez a abertura do Congresso com o espetáculo “O Segredo de Poço Redondo”, também contamos com a caravana nacional Alexina Crespo, contribuindo com a agitação durante o CBA. Elielma Barros, coordenação nacional do MPA.

sementes crioulas serão doadas e trocadas em feira. foto MPA

O grande desafio é que o Congresso acumule para a luta agroecológica no Brasil, mesmo que do ponto de vista ideológico, mas, em especial no Estado, que ferramentas como a RESEA e a Via Campesina saiam fortalecidas para pautar a construção de um programa estruturante para a produção camponesa agroecológica, possibilitando que comida de verdade e sem veneno chegue à mesa do trabalhador da cidade. Programa esse conhecido por nós, de outras experiências por Programa Camponês. Afinal, quem alimenta o Brasil exige respeito.