Um peixe-elétrico de 1,5 m foi capturado durante a tarde deste domingo (9) no Balneário Igarapé Preto, em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. O pescado, também é conhecido como poraquê e foi capturado em uma tarrafa por um banhista que se divertia na área de lazer mais frequentada do município.

Centenas de pessoas se divertiam no Igarapé Preto, quando Raimundo Souza colheu sua tarrafa com o peixe. Ele conta que tinha ido ao balneário se divertir com a família e acabou levando a tarrada para capturar peixes pequenos.

Logo que lançou a tarrafa, ele diz que sentiu a corda tremer, mas não imaginava que fosse um peixe-elétrico. “Não levei choque. Senti só a corda da tarrafa tremendo e pensei que estava puxando uma manga (rede de pesca), ou outra coisa”, disse Souza.

O tamanho do poraquê assustou os frequentadores do balneário. Após o peixe ser capturado, praticamente todos os banhistas saíram da água e tiveram medo de voltar ao banho.

O radialista Patrick Tavares estava chegando para passar o restante da tarde no igarapé, mas, com medo decidiu procurar outro local para se divertir com os amigos.

“Não ficou ninguém na água, saiu todo mundo e eu fui procurar uma piscina que achei que seria um local mais seguro para me refrescar durante a tarde de calor. Foi assustador ver que aquele animal, que pode tirar a vida até de uma pessoal adulta”, contou.

De acordo com o professor, André Casas, especialista em pesquisas de anatomia de peixe pela Universidade Federal do Acre (Ufac), o poraquê é um peixe de família próxima a dos bagres e têm seu corpo formado por ¼ de barriga e cabeça e o restante pela calda. Segundo ele, é na calda que se formam descargas elétricas que podem chegar a mais de mil volts.

“Antigamente se dizia que podia chegar a 800 volts, hoje existem estudos que comprovam que pode chegar até a 1.200 volts e, existem documentos na internet que indicam que pode chegar até a 1.800 volts. O fato é que chega atingir uma alta voltagem”, explica o professor.

Casas afirma que o contato com o poraquê pode levar riscos para as pessoas. No entanto, ele assegura que não tem conhecimento mortes provocadas pelo pelo peixe-elétrico na região do Juruá.

“Estou aqui há cinco anos e nunca ouvir falar de nenhum caso de morte provocado pelo poraquê. O que existe é que algumas pessoas que morrem afogadas e quando não se sabe a causa, quem pega a culpa são os animais, o poraquê ou a sucuri”, afirma.

Ainda segundo o professor, apesar da recomendação ser evitar o contato com o animal, não há necessidade de deixar de tomar banho no igarapé por conta da presença do peixe, que é comum em regiões de água doce.

“Posso afirmar, taxativamente que o poraquê não ataca o ser humano. Ele foge. Ele tá lá no ambiente natural dele, tem algum distúrbio na água, ele se afasta. Ele só vai emitir descarga elétrica quando ele está caçando a presa que é o peixe, ou quando ele está tentando se afugentar um predador”, conclui o pesquisador.

Fonte: G1