O nível do rio Juruá se mantém estável desde a manhã deste domingo (10), mas a cheia já afeta mais de 8 mil famílias, em Cruzeiro do Sul, interior do Acre, e causa prejuízos aos produtores rurais de várias comunidades.

Nesta segunda-feira (11), o manancial registrou a mesma cota de domingo, 13,86 metros, mesmo assim, a Defesa Civil ainda precisou remover mais 2 famílias de bairros alagados nesta segunda. No momento já são 120 que estão em dois abrigos montados pela prefeitura.

Com a enchente, oito bairros e diversas comunidades ribeirinhas estão cobertos pela água que afeta milhares de casas. Segundo a Defesa Civil, quase 3 mil famílias estão sem energia elétrica, sem o fornecimento de água tratada e precisando de pequenas embarcações para deixar suas moradias. Mais de 5 mil famílias estão desalojadas, fora as que foram encaminhadas para os abrigos.

O prefeito em exercício, Zequinha Lima, disse que a cheia já causa prejuízos para mais de 30 mil pessoas.

“Apesar de o rio ter estabilizado nas últimas horas, estamos muito preocupados porque já são mais 100 famílias em abrigos e milhares que não querem sair estão correndo riscos. Estamos agora aguardando a ajuda do governo federal para tentarmos minimizar essa situação”, diz Lima.

Na maioria das comunidades, os moradores já alegam prejuízos na plantação agrícola e nas pequenas criações de animais. Por conta da enchente, os pequenos criadores estão tendo que vender seus animais por preços bem abaixo do valor de mercado.

“A água avançou rápido e alagou nossos roçados e os animais estão todos dentro da água. Estou aqui para tentar conseguir um apoio, mas está um pouco demorado, porque os bichos estão há três dias molhados e não têm mais como esperar. Está muito ruim, pois o recurso que a gente ganha é da produção e lá, mas agora minhas canas estão todos invadidas pela água, as galinhas estamos vendendo tudo e o pessoal só quer comprar barato. Os bois, alguns moradores está levando para a terra firme, outros estão vendendo por um preço muito baixo, como é o meu caso”, disse o agricultor Valfredo Martins, de 31 anos, que mora no seringal Florianópolis.

De acordo com a prefeitura, ainda não é possível avaliar o prejuízo para a produção rural do município causado pela cheia.

“Nosso assessor esteve visitando toda área ribeirinha e observou que, certamente, teremos um grande prejuízo na produção, mas ainda não temos como dimensionar o tamanho desse problema. Ainda estamos fazendo os levantamentos”, afirmou o prefeito em exercício.

Além de canaviais, os produtores relatam ainda que a cheia já afeta também as plantações de arroz, feijão, milho, melancia, banana e de mandioca, que tem como um dos seus derivados, a farinha que é a base da economia de cinco municípios do Vale do Juruá.

Na segunda maior cidade do Acre, algumas instituições públicas também já estão afetadas pela enchente. Segundo a prefeito, os serviços de cinco escolas e três unidades de saúde tiveram que ser suspensos.

Fonte: G1