Após sofrer com maior cheia dos últimos 22 anos, Cruzeiro do Sul trava uma batalha para se reerguer. No dia 2 de fevereiro, o manancial atingiu sua cota histórica de 14,24 metros. Nesta segunda-feira (13), após as águas baixarem, a Prefeitura iniciou um mutirão de limpeza pelos bairros atingidos pelas águas.

A Secretaria de Desenvolvimento Social informou que ainda há 16 famílias no prédio da Santa Casa, único abrigo ainda montado na cidade. Na comunidade Nari do Moa, ainda há duas creches servindo como abrigo, mas a secretaria ainda está fazendo o levantamento de quantas famílias estão no local.

O Corpo de Bombeiros informou que o rio segue sem medição porque as réguas foram levadas pelas águas. Na a Agência Nacional de Águas (ANA) o rio também segue sem medição. O prefeito de Cruzeiro do Sul, Ilderlei Cordeiro, diz que, dos 12 bairros atingidos na cidade, três devem receber o mutirão de limpeza, que conta com profissionais da Saúde e Assistência Social.

“Tem uma equipe da Saúde orientando e entregando produtos para que a proliferação de mosquitos, que pode ocorrer devido à baixa das águas, não aconteça. Já a Assistência Social está fazendo o levantamento das famílias e conversando com cada uma”, explica.

O mutirão consiste na limpeza das ruas e também visita às famílias atingidas pela cheia do Rio Juruá. De acordo com o prefeito, quase 14 mil kits também devem ser entregues às famílias.

“Estamos fazendo nossa parte dentro do recurso que temos. São 4 mil cestas básicas, 4 mil kits de limpeza, 4 mil kits de higiene, 1.300 kits infantis e 500 kits dormitórios. A gente já fez algumas entregas e vamos continuar entregando esses materiais que recebemos do governo federal”, diz.

O prefeito diz ainda que o trabalho após a cheia é grande. Porém, ele destacou ajuda de instituições e dos governos estadual e federal.

“Foi uma experiência abençoada, no ponto de vista de que, se agora ocorrer outra enchente, vamos saber como lidar. A demanda é grande porque foi um momento de muita emergência. Dos 35 bairros que temos na cidade, 12 foram atingidos, mas vamos dar o retorno necessário dentro das condições que temos”, finaliza.

Cheia no Juruá
A enchente em fevereiro chegou a desabrigar, segundo os Bombeiros, 99 famílias e outras 742 estão desalojadas, ou seja, quando são aparadas em casas de parentes. Um total de 3,7 mil pessoas foram atingidas diretamente, precisando deixar as residências.

A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) reconheceu, no último dia 3, o estado de situação de emergência da cidade. O reconhecimento foi publicado no Diário Oficial da União (DOU). O decreto foi assinado pelo prefeito Ilderlei Cordeiro (PMDB-AC) no dia 30 de janeiro.

No mesmo dia, o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, e o secretário de Defesa Civil, Renato Newton Ramlow, vistoriaram as áreas afetadas pelas águas. Eles percorreram de helicóptero os locais atingidos.

Na ocasião, Barbalho afirmou que, com o reconhecimento de situação de emergência, o governo federal disponibilizou um montante de quase R$ 4 milhões para ações emergenciais, com cestas básicas, kits de higiene e colchonetes. “São recursos para este momento de sofrimento para minimizar as dificuldades e trazer tranquilidade às famílias”, disse.

Fonte: G1