O Ministério Público do Acre (MP-AC) instaurou um inquérito civil visando mais rapidez na adoção de medidas referentes à contaminação de açaí pelo transmissor da doença de chagas, ocorrida em agosto do ano passado, na cidade de Feijó. Na época, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) encontrou o DNA do barbeiro em cinco amostras do produto.

A portaria – assinada pelo promotor Ocimar da Silva Sales Júnior na última segunda-feira (13) – foi publicada na edição desta quinta (15) do Diário Oficial do Estado (DOE). As amostras nas quais foram comprovadas a presença do protozoário Trypanosoma cruzi foram colhidas durante o Festival do Açaí, segundo o documento.

Com o inquérito, o MP-AC requisitou que a Vigilância Sanitária Municipal elaborasse – no prazo de 10 dias – um calendário de visitas e inspeções para fiscalizar os chamados “batedores”, pessoas que manipulam diretamente o fruto, “especialmente aqueles que possuem alvará de funcionamento”.

Ao G1, a chefe da Vigilância da cidade, Júlia Souza, afirmou que o setor já recebeu o ofício do MP-AC e que o calendário solicitado está sendo elaborado, devendo ser apresentado dentro do prazo estabelecido.

Em novembro de 2016, o Ministério da Agricultura chegou a apreender aproximadamente seis toneladas de açaí na cidade acreana. O material estava pronto para comercialização. A medida, conforme o órgão, era preventiva, pois o material seria enviado para análise em laboratório.

Na época, em torno de 100 produtores chegaram a participar de um curso de capacitação “de boas práticas” promovido pelo governo do estado. A ideia era capacitar os participantes da cadeia produtiva do açaí visando a qualidade na produção, extinguindo os riscos de contaminação.

Diante disso, na portaria, o MP-AC também solicitou à Secretaria de Estado de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof-AC) informações sobre a segunda etapa do curso, que deve atender agora catadores e produtores. O prazo para que a pasta governamental responda ao questionamento também é de 10 dias.

O responsável pela Seaprof-AC, Thaumaturgo Neto, disse que ainda não foi notificado sobre a determinação do ministério. No entanto, o gestor confirmou que Feijó vai receber um novo curso de boas práticas durante este ano, mas não divulgou uma data específica.

Doença de chagas em Feijó
Ainda em julho de 2016, treze pessoas da mesma família chegaram ser internadas no Hospital Geral de Feijó com doença de chagas Todos eram moradores do Seringal Miraflor, no km 60 da BR-364. Mortes pela doença chegaram a ocorrer na cidade de Rodrigues Alves.

Fonte: G1