O Centro de Detenção Provisória Feminino (CDPF) passa por revista na manhã desta quarta-feira (18). A unidade fica localizada no quilômetro 8 da BR-174 (Manaus/Boa Vista). De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), o objetivo é fazer uma contagem de internas do local.

Na terça-feira (17), o governo deu início à contagem de presos em todas as unidades prisionais do estado. A medida foi anunciada pelo novo secretário de Administração Penitenciária, coronel Cleitman Rabelo, após o massacre resultou na morte de 64 presos e na fuga de 225.

De acordo com Rabelo, o objetivo da recontagem é planejar ações voltadas para a segurança carcerária no estado. “Eu preciso conferir homem a homem para poder dizer para a população do Amazonas e para o governador a situação do Amazonas. A partir daí, a responsabilidade é minha”, disse o coronel.

O processo de recontagem teve início na segunda-feira (16) no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) – onde 56 presos foram mortos no dia 1º deste ano – e na manhã desta terça no Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat).

Rebeliões e fugas
Desde o dia 1º de janeiro, o sistema prisional do estado registrou fuga de 225, rebeliões e um massacre que resultou de 64 mortes de detentos. Presos chegaram a postar foto com armas antes de uma das rebeliões, o que aponta para a existência de sinal de celular dentro das unidades.

A rebelião que aconteceu no Compaj durou mais de 17 horas e foi considerado pelo secretário estadual de Segurança Pública, Sérgio Fontes, como “o maior massacre do sistema prisional” do Amazonas. Ao todo, 56 foram mortos dentro do presídio entre 1º e 2 de janeiro. Essa é uma das maiores matanças ocorridas em presídios brasileiros desde o massacre do Carandiru, em 1992.

Na tarde de segunda (2), outros quatro presos morreram na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), na Zona Leste de Manaus.No útlimo domingo (8), outros quatro presos foram mortos em uma rebelião na Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, no Centro de Manaus, reativada para receber presos transferidos do Compaj após o massacre.

Investigação
A polícia do Amazonas apontou sete presos como líderes do massacre. Documentos o Ministério Público Federal (MPF) dizem que estes líderes têm estreita relação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc. Segundo o MPF, os traficantes brasileiros teriam comprado pistolas, fuzis e submetralhadoras do mesmo fornecedor de armas do grupo de guerrilha colombiano.

Diversos relatórios elaborados antes da rebelião já apontavam risco iminente no presídio de Manaus. Um texto do setor de inteligência da Secretaria de Segurança alertava para um plano de fuga no regime fechado do Compaj. Além disso, apontava que oito armas de fogo tinham entrado no presídio na semana anterior ao Natal por meio de visitantes e com o ajuda de agentes.

Documentos emitidos pela administradora do presídio, a Umanizzare, alertavam para o risco de se permitir visitas no fim do ano aos presos. O governo estadual havia permitido que cada um dos mais de 1,2 mil presos do Compaj pudesse receber ao menos um acompanhante no Natal e no Ano Novo.

No dia 27 de dezembro, quatro dias antes da rebelião, a empresa ainda pediu providências imediatas porque, no dia 24, com autorização da secretaria do governo, os horários de visitas não foram respeitados, o que prejudicou a revista de celas e a contagem de presos. O secretário justificou a autorização, dizendo que se tratava de “humanização”.

Exoneração
Após mortes e fugas no sistema prisional, o Governo do Amazonas anunciou nesta sexta-feira (13) mudança na gestão da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). O tenente-coronel da Polícia Militar, Cleitman Rabelo Coelho, assume o cargo. Ele assume a pasta substituindo o agente da Polícia Federal, Pedro Florencio.

O Governo não informou se Florencio entregou o cargo ou se foi desligado da função por recomendação do governador José Melo. Agente da Polícia Federal, ele estava no comando da Seap desde outubro de 2015.

Fonte: G1