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Com degustação de comidas típicas e rituais, eles inaugurarão festivamente, terça-feira (22), das 14 às 18h, o Centro Cultural Indígena Wagôh Pakob, na Aldeia Paiter-Suruí, beira do rio Guapó, a um quilômetro da Terra Indígena Sete de Setembro.
Quarenta anos depois de terem parte do território invadido por migrantes vindos das regiões sul e sudeste do País, esses índios começam a resgatar sua cultura, tradição e compartilhar conhecimentos.

O Centro é uma iniciativa da comunidade da Aldeia Paiter, coordenada pelo irmãos Gasodá Suruí, formado em turismo e mestrando em geografia pela Universidade Federal de Rondônia (Unir), e Urariwe Suruí, formado em administração e líder de seu povo.
“Um ambiente de trocas de ideias, experiências, repasse de informações e de conhecimentos tradicionais dos mais velhos para os jovens, como forma de preparar futuramente no âmbito do fortalecimento, valorização e preservação da cultura tradicional Paiter”, explicou Gasodá.
O novo espaço servirá também para o intercâmbio entre homens, mulheres, jovens e crianças indígenas, dentro da perspectiva de paz entre os povos da floresta. “Queremos estabelecer uma forma de contribuição e fortalecimento da formação política ambiental e cultural das novas gerações, e ao mesmo tempo resgatar e adaptar conhecimentos tradicionais”, disse Gasodá.

Povo Suruí
Centro Cultural do Povo Paiter Suruí

Ele considera essencial a valorização das práticas culturais associadas à conservação da natureza. “Entendemos que o contato com o branco, desde o início da colonização, sempre foi prejudicial ao povo indígena e à sua cultura em geral, pois funciona como elemento destribalizador”, explicou.

Contactados em 1969, os suruís perderam muitas terras e valores culturais. Pensando em reverter essa ideia copiada da sociedade não indígena, criação do Centro Cultural será importante no atual ritmo de retomadas de práticas dos valores dos conhecimentos tradicionais desse povo.