Delegados, investigadores e escrivães da Polícia Civil do Amazonas vão entrar em greve por tempo indeterminado a partir da quarta-feira (25). Com isso, todos os serviços prestados em todos os Distritos Integrados de Polícia (DIP’s) e delegacias especializadas serão suspensos. Apenas situações de flagrantes vão continuar sendo recebidas nas delegacias.

O presidente do Sindicato dos Funcionários da Polícia Civil (Sinpol), Moacir Maia, explicou que a medida energética foi tomada para chamar a atenção do governo que, para ele, aparenta estar “ignorando” os pleitos da categoria desde dezembro do ano passado. “As nossas reivindicações não estão sendo atendidas. A Lei do Escalonamento (reposição salarial anual) não foi paga em janeiro como era previsto e até agora o governador não apresentou nenhuma proposta para o pagamento ser realizado. Por isso, a categoria ficou irritada”, afirmou Maia.

A decisão unânime pela greve foi aprovada hoje à noite, na sede do Sinpol, em Petrópolis, na Zona Sul de Manaus, e contou com a participação de mais de 600 policiais. Eles afirmam que estão abertos a negociações com o Estado, mas enquanto o governador José Melo (Pros) não se posicionar, a greve será mantida.

O presidente do Sindicato dos Delegados (Sindepol), delegado Rafael Costa e Silva, afirmou que todos os delegados aderiram à greve. Segundo ele, uns pediram para preservar o nome, mas garantiram estar junto com a categoria.

A deflagração de greve a partir do dia 25 vai fazer com que os serviços prestados nas delegacias sejam reduzidos. Estarão suspensos os serviços de registro de boletins de ocorrência, requisição de perícias, Termos Circunstanciados de Ocorrências (TCO’s), bem como as investigações que estejam em curso. “Vamos receber apenas as situações de flagrantes. Vamos fazer a comunicação do estado de greve no tempo determinado, que é de 72 horas. O que queremos é que a lei seja cumprida”, destacou o sindicalista.

Falta até promoção

“O poder público deixou de cumprir a lei e, pior, não chamou a categoria para conversar até agora. Ele está ignorando o movimento”, criticou o presidente do Sindicato dos Delegados de carreira (Sindepol), Rafael Costa e Silva. De acordo com  ele, há uma expectativa de que amanhã ocorra uma conversa com José  Melo, mas, enquanto não houver uma oficialização para regularização dos pagamentos da Lei do Escalonamento, os policiais civis não vão recuar do movimento paredista.

“Além do reajuste, falta estrutura para os policiais trabalharem. Às vezes nem água tem nas delegacias e a situação fica cada vez mais complicada. As promoções também não acontecem há mais de cinco anos e tudo isso precisa ser revisto”, afirmou o presidente do Sindepol.

Questionados sobre o movimento grevista coincidir com o ápice da crise carcerária no Estado, os sindicatos afirmam que antes mesmo do massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) e das fugas em massa, o movimento já vinha se articulando. “Não somos oportunistas, sabemos da crise na segurança, mas os nossos direitos devem ser cumpridos e desde o ano passado estamos nesse pleito”, ressaltou Moacir Maia.

Peritos também devem parar

Os peritos criminais do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC), que também anunciaram estado de greve, vão realizar uma manifestação hoje, às 9h, em frente ao Instituto Médico Legal (IML), na Cidade Nova, na Zona Norte.

A categoria reivindica a inclusão imediata da classe dos peritos oficiais na Lei de Reestruturação Remuneratória da carreira da Polícia Civil, a destituição imediata dos diretores dos Institutos e do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) e eleição imediata dos novos dirigentes através de Listra Tríplice escolhidos pelos peritos oficiais, e a aplicação do Decreto Governamental com implantação da Lei de Reestruturação do órgão pericial em todo o Estado.

A partir de quinta-feira (19), os peritos também vão iniciar uma “operação-padrão” dentro dos três institutos do DPTC, que visa deixar de realizar alguns procedimentos caso não haja os equipamentos de proteção individual (EPI) como luvas e toucas.

Os peritos criminais, médico-legistas e odontolegistas do Amazonas entraram em estado de greve na última segunda-feira, após uma assembleia geral realizada pelo Sindicato dos Peritos Oficiais do Estado do Amazonas (Sinpoeam). De acordo com a presidente do  Sinpoeam, Fernanda Versiani, a decisão serve de alerta, mas a categoria promete aguardar uma semana para que haja uma sinalização positiva por parte do governo do Estado. O prazo foi estabelecido para honrar compromisso firmado pela categoria com o presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), desembargador Flávio Pascarelli, no início da semana.

Fonte: A Crítica