A escola municipal Índio Alonso Franco situada na comunidade indígena Leão de Ouro no município de Amajari, no Sul de Roraima, funciona em uma sede com estrutura de madeira e teto de palha.

Há anos, a unidade de ensino atende 13 alunos do 1º ao 5º ano, que estudam em condições péssimas, segundo denúncia do vereador do município, Adriano Novinho (PRP).

A Secretaria de Educação de Amajari confirma a precariedade do espaço, mas garante que a situação é resultado das gestões passadas.

Na quarta-feira (18), o parlamentar procurou o G1 para denunciar o problema. Ele que diz que a unidade tem vários problemas estruturais e que mesmo assim nada é feito para resolver a situação.

“Já solicitei diversas vezes que a prefeitura construísse uma sede para atender aos estudantes indígenas. Nada foi feito. Há anos a sede funciona desse jeito [defasada]. Para se ter uma ideia do absurdo, a placa da escola é mais cara que a estrutura da unidade de ensino”, declarou.

Conforme as imagens disponibilizadas pelo vereador, o espaço usado como escola é improvisado pela prefeitura de Amajari para atender aos alunos da comunidade indígena. O local não tem paredes, muito menos lousa e várias cadeiras não têm encosto.

“Esses estudantes são humilhados. Não há banheiros. Não eram para estar nessas condições precárias. Essa escola deveria estar fechada”.

Para o sol não atrapalhar durante as aulas, uma lona rasgada foi colocada em uma parte da estrutura de madeira, amenizando a luz quente que entra pelas laterais abertas da sede improvisada.

“A palha que cobre a estrutura apresenta aberturas. Quando chove, não há aulas”, pontuou o vereador.

Secretaria culpa gestores passados

A secretária municipal de Educação de Amajari, Maria Providência, justificou as péssimas condições da escola indígena culpando os gestores passados. Ainda segundo ela, a escola indígena na Comunidade Leão de Ouro nunca funcionou como deveria.

“Os administradores anteriores nunca se preocuparam com a Educação [do município].Todas as nossas escolas estão defasadas, não é só a da Leão de Ouro onde há 13 alunos da educação infantil. Tenho feito possível para amenizar a nossa situação. Estamos em crise”, alegou.

Ainda de acordo com a secretária, o município está inadimplente com o governo federal o que inviabiliza a construção de novas unidades de ensino.

“Temos 24 escolas ‘super precárias’. Atendemos 1.174 estudantes. Mas não deixo faltar merenda. Pagamos tudo com recurso próprio. Estamos buscando verba para melhorar nossa situação. Não recebemos nada do governo federal. Já pedi até doação de cadeiras”, justificou.

Questionada se a Secretaria está recebendo verba do Fundeb, Maria afirma que sim e diz para onde vai parte do do dinheiro recebido pelo município. “60% é para pagar professor”,resumiu sem informar como é feita a distribuição dos outros 40% do Fundeb.

O G1 tentou contato com a prefeita de Amajari, Veral Lúcia (PSC), mas o telefone dela estava desligado.

Fonte: G1