O Superior Tribunal de Justiça concedeu na tarde desta terça-feira (18) liberdade a Guilherme Campos, filho da governadora afastada de Roraima Suely Campos (PP), ao deputado eleito Renan Filho (PRB) e outros oito presos há 20 dias pela Polícia Federal por desvios milionários no sistema prisional.

Guilherme foi preso pela PF em Brasília no dia 29 de novembro. Ele é investigado por chefiar o esquema que movimentou R$ 70 milhões em contratos para fornecimento de comida a presos de Roraima. Todos ficaram 20 dias presos.

O esquema tinha a participação de 11 pessoas, incluindo dois ex-secretários de Justiça de Cidadania, Josué dos Santos Filho e Ronan Marinho – filmado recebendo propina, e o dono da empresa Qualigourmet, João Kleber Martins. Todos estão presos e foram beneficiados com a decisão de soltura do STJ.

O pedido foi ingressado pela defesa de Guilherme Campos. O ministro já havia negado Reynaldo Soares da Fonseca um pedido de habeas corpus para ele, mas disse o processo seria revisto e nessa terça concedeu a liminar que estende também aos outros envolvidos.

No esquema, segundo a PF, os envolvidos superfaturavam o valor da alimentação, informavam quantitativo superior de refeições ao que era efetivamente providenciado e forneciam alimentos de baixa qualidade na unidades.

Organização criminosa

Segundo a PF, o grupo chefiado pelo filho da governadora formou uma organização criminosa que desviou aproximadamente 30% do valor dos contratos com a Sejuc, para o pagamento de propinas.

O verdadeiro dono da empresa era Guilherme Campos e, segundo a PF, ele agia com o apoio de seu braço direito, o deputado estadual eleito Renan Filho. O relatório da investigação diz que Guilherme transformou Roraima em “um balcão de negócios”.

O esquema investigado aconteceu entre os anos de 2015 e 2017, em diversos contratos feitos entre a Sejuc e a empresa Qualigourmet para fornecimento de comida ao sistema prisional.

Durante a operação, a PF também apreendeu 10 carros de luxo – entre eles um camaro, um Audi A3 e três SW4 lancha, joias e dinheiro.

O esquema já havia sido alvo de outra operação da PF, dividida em duas fases, e de investigação em CPI na Assembleia Legislativa.

Fonte: G1