Do sonho das safras ao pesadelo do leilão

 

Um general de Exército com jeito de bispo, um presidente da República emburrado, mas que abria o coração ao ser abraçado por colonos. Cada título definitivo valia cem hectares de terras.

Assim era a reforma agrária generosa nos anos 1980 em Rondônia. Infelizmente, por falta de assistência técnica e de saúde, alguns beneficiados não usufruíam do lote. Atacados pela malária, morriam no meio do mato e os corpos transportados em redes eram ali mesmo sepultados.

O general ministro extraordinário da Reforma Agrária chamava-se Danilo Venturini; o presidente da República era outro general de Exército, João Baptista de Oliveira Figueiredo.

Mais de 30 anos depois da festa de inauguração do armazém da Companhia Brasileira de Armazenamento (Cibrazem), na Avenida Capitão Sílvio Gonçalves de Farias, observo a foto que fiz e reflito a respeito da tentativa de leiloá-lo.

Ouro Preto do Oeste nasceu de um projeto integrado de colonização do Incra e pelo menos a metade dos antigos núcleos urbanos de apoio rural (NUARs) se transformou em cidades.

Se naquele período o governo federal ordenava a estocagem de grãos nesse armazém de Ouro Preto, agora ele serve para guardar calcário destinado a associações rurais do município. Nem a Cibrazem, nem a Cagero [empresa estadual de armazéns] existem mais. E a vida segue no campo.

Repórter na Secom-RO. Chegou a Rondônia em 1976. Trabalhou nos extintos jornais A Tribuna, O Guaporé, O Imparcial, O Parceleiro, e na sucursal da Empresa Brasileira de Notícias (EBN). Colaborou com o jornal Alto Madeira. Foi correspondente regional da Folha de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil.