Gigante do aço de Pimenta Bueno abastece a Amazônia

MONTEZUMA CRUZ e CARLOS ARAÚJO (*)

No gigantesco pavilhão da Castilho Estruturas Metálicas, o sistema Mig de solda funciona ao lado de uma perfiladeira. Tudo grande, impressionante. A empresa cresce e a expansão se consolida. Estima-se que a produção alcance, este ano, 150 toneladas de ferro por mês.

Caixas-d’água, escadas, tanques de combustíveis, armazéns, prédios públicos e particulares põem Rondônia na vanguarda desse segmento na Amazônia Ocidental Brasileira. Tudo isso é construído com aço moldado em tecnologia alemã, espanhola e italiana pela Castilho, em Pimenta Bueno, a 520 quilômetros de Porto Velho.

Em todo o Estado, o montante de obras até junho totalizava seis milhões de metros quadrados. Treminhões transportam cargas de Pimenta Bueno para diferentes regiões do País.

Castilho Construtoras
Castilho Construtoras

Castilho está presente em diversas frentes de obras. Entre outras, já concluídas, participou da construção da agência de veículos Recol (Volkswagen) em Cruzeiro do Sul-AC; dos hospitais do câncer de Barretos e Campinas; fez o maior arco parafusado do mundo, com 112 metros de vão, no Bumbódromo de Parintins-AM.

Construiu ainda o prédio multiandar do Tribunal de Justiça do Estado do Acre; a Uninorte, em Porto Velho; a agência do Banco do Brasil na Avenida Jatuarana, zona sul da Capital; a Pacífico Log Logística e Transportes; o Centro de Distribuição Cairu em Pimenta Bueno; o Hotel Porto Velho; o Truckcenter 2 da Pemaza em Porto Velho, entre outros.

“De modo geral, entre 50% e 60% do aço já chegam ao canteiro como soluções para atender ao ritmo exigido por todos os serviços”, diz José Eugênio Castilhom, diretor proprietário.

QUEM É

Nascido em Siqueira Campos [Norte Pioneiro do Paraná], desde 1990 ele consolida a atuação da empresa, hoje totalmente automatizada.

Até 1982 ele exerceu o cargo de secretário na Prefeitura Municipal de Pimenta Bueno e também trabalhou no Departamento Estadual de Obras e Serviços Públicos, é pai de Bruno, Carolina e Mariana. Bruno é engenheiro, Carolina formou-se em administração, e Mariana em direito. Os três nasceram em Pimenta Bueno.

De 1985 a 1989, o empresário participou como sócio da Metalúrgica Rondometal.

O aço chega aos canteiros de obras em forma de estruturas metálicas pré-moldadas, prontas para uso. “Em cinco anos a construção metálica cresce entre 30% e 50% mais no País do que as obras com concreto. A tendência é crescer ainda mais”, arrisca o empresário.

O uso do aço na indústria da construção proporciona versatilidade de estruturas e durabilidade. Da peça miúda à peça graúda, essa matéria-prima trabalhada em Rondônia atende a um mercado cada vez mais em ascensão.

O GRUPO CASTILHO

O grupo liderado pela Castilho tem três braços: BR Estruturas, Big Aço e Perfilol, reunindo ao todo 205 empregados, dos quais, cem na linha de montagem.

“Já fornecemos para clientes de oito estados, incluindo o nosso: Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rio Grande do Sul, Roraima e São Paulo”, orgulha-se.

De Itaituba (PA), um filho do empresário Moacir Cruceta contratou a empresa para uma construção. Participou do Cacoal Shopping, em Cacoal. Fez o acabamento da Uninorte, com 18 mil m², em Porto Velho; o Centro de Distribuição Cairu, em Pimenta Bueno.

“Estamos fornecendo toda a estrutura metálica do Hospital do Câncer, construído em Porto Velho, e também fizemos isso nos hospitais de Barretos e Campinas”, conta.

15% DAS OBRAS NACIONAIS

No País, a construção em aço representa atualmente perto de 15% do universo do setor de edificações, avaliou em 2015 o Centro Brasileiro da Construção do Aço (CBCA). Nos Estados Unidos, 50% das construções multiandares comerciais são em aço; na Inglaterra, chegam a 70%.

A indústria de José Eugênio é controlada pelo Comando Numérico Computadorizado (CNC), responsável pelo pleno funcionamento de máquinas e ferramentas programáveis.

Na equipe trabalham seis projetistas e quatro engenheiros – um mecânico, um de produção e dois civis. Estes últimos, José Eugênio e o filho Bruno.

No CNC, o engenheiro de produção Alexandre Machado supervisiona programas que incorporam projeções, planejamento e gerenciamento de sistemas organizacionais que envolvem recursos humanos, materiais, tecnológicos, financeiros e ambientais.

FURA, CORTA E MARCA

“Veja esta máquina, ela trabalha semelhante ao furador de papel”, aponta o empresário andando pela fábrica.
Com precisão a laser, a Kaltenbach, considerada a “número um no mundo”, fura, corta e marca nome num só tempo. A troca de brocas dá o ritmo do trabalho.

O que dizer da ponte rolante, essa máquina de elevação do tipo guindaste de ponte? Os principais equipamentos que fazem parte das máquinas de elevação são: guindaste, ponte rolante, elevador e guincho.

Em junho deste ano, a Castilho havia produzido quatro unidades com 16 metros de vão, cada qual suportando 6,5 toneladas de carga.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) rege o projeto e a construção de máquinas de elevação com a norma NBR 8400 – Cálculo de Equipamentos para Elevação e Movimentação de Carga – de 1984.

JATEAMENTO

No plano superior do prédio é possível ver o sistema todo automatizado. Abaixo, a cortadora de chapas faz desenhos e perfurações diferentes, e a próxima e mais importante meta é a pintura com jato.

“No jateamento de granalha, pequenas bolas de aço se impactam na peça, podendo retirar camadas de oxidação. Isso proporciona a melhora da aderência da tinta na peça”, explica o engenheiro Alexandre Machado.

Método utilizado para limpar, fortalecer [martelar] ou polir o metal, o jateamento [shotpeening] é usado em praticamente todas as indústrias metalúrgicas, incluindo as do setor aeroespacial, automotiva, da construção civil, de fundição, de construção naval e ferroviária. Duas tecnologias são utilizadas: jateamento com turbina e jateamento de ar.

(*) Texto com modificações. Originalmente publicado no livro Fiero 30 anos – Eles ajudaram a construir a história da Indústria em Rondônia.