O jeito de falar

MONTEZUMA CRUZ*

Algumas saudades eu tenho do linguajar antigo de Porto Velho. Aqui chegando em 1976 ainda tive a oportunidade de ouvir frases que teimam permanecer em minha memória.

MONTEZUMA CRUZ
MONTEZUMA CRUZ

– Menino, vá buscar o pão na taberna e compre lá também o Nescau e a massa de tomate.
Taberna era sinônimo de pequena venda ou armazém, empório, minimercado.
– Ei, Clemilda, te apresse nesse banho que os meninos tão aí brechando.
Do verbo brechar: espionar, espreitar, observar, vigiar.
– Rapaz, ela embuchou. Ou: ela tá em estado interessante.
Designa o estado materno, a gravidez.
– Aí ele cortou Tonhão no terçado e ainda lhe deu dois tiros: pôu, pôu!
Referindo-se à agressão a Antonio com grande facão
Na TV Rondônia, o anúncio fúnebre:
– Familiares daquele que em vida se chamou Raimundo Nonato de Souza convidam para o seu sepultamento amanhã, às 14h, no Cemitério dos Inocentes.
Catedrática no assunto, a professora, escritora e acadêmica de letras Yêdda Borzacov conhece a fundo a rica coletânea de frases próprias do povo do norte e do nordeste, adaptadas ou pronunciadas na íntegra na Capital de Rondônia.
Brevemente volto ao assunto.

Repórter na Secom-RO. Chegou a Rondônia em 1976. Trabalhou nos extintos jornais A Tribuna, O Guaporé, O Imparcial, O Parceleiro, e na sucursal da Empresa Brasileira de Notícias (EBN). Colaborou com o jornal Alto Madeira. Foi correspondente regional da Folha de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil.