Produção de soja no Amapá deve crescer 28% em 2017 e movimentar R$ 60 milhões

Intensificado há 5 anos no Amapá e com previsão de movimentar R$ 60 milhões somente em 2017, o mercado da soja está em pleno crescimento no cerrado amapaense. A produção deve ser 28,5% superior à colheita de 2016, de acordo com estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os números estão no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de julho, que prevê mensalmente a produção agrícola dos estados. A soja também representa a maior área de colheita do estado, com mais de 70% dos 23 mil hectares utilizados pela agricultura.

Os números do IBGE devem se confirmar até o fim de agosto, de acordo com produtores. A safra do grão está sendo colhida desde julho e deve somar quase 60 mil toneladas neste ano.

A área usada para plantio fica no Leste do estado e é conhecida como “anel da soja”, cobrindo principalmente territórios de quatro municípios: Macapá, Itaubal, Porto Grande e Tartarugalzinho. Num raio de 200 quilômetros se concentra 80% da área cultivada no estado.

A capacidade do “anel” é de cultivar até 400 mil hectares com potencial para produção de 1,2 milhão de toneladas do grão. O clima amazônico também foi um desafio superado pelos novos agricultores, que souberam lidar com a rápida transição entre chuvas intensas e o forte sol.

“A gente teria que plantar para colher no seco [verão] devido à falta de estrutura de secadores. Nós tínhamos essa dúvida, porque às vezes a chuva estendia um pouquinho mais e às vezes um pouquinho menos, e aí foi por tentativas. Começamos a plantar em determinado momento entre março e abril e começou a dar certo”, explicou Carlos Kackzam, produtor de soja.

O caminho final para o escoamento da soja é o Porto de Santana, às margens do rio Amazonas, que por causa da posição geográfica é apontado como mais uma vantagem para os agricultores.

“Nosso porto está bem na extremidade, por assim dizer, do nosso país. Muito mais próximo dos mercados europeus, do canal do Panamá e isso aí é um atrativo muito grande para as empresas em relação ao frete. As distâncias a serem percorridas são menores, tanto para um lado do mundo, lá para o lado da Europa e Ásia”, destacou Paulo Roberto Couto, presidente da Companhia Docas de Santana.

A Associação de Produtores de Soja do Amapá (Aprosoja) destaca que a maior parte do recurso proveniente da exportação do grão foi aplicada no mercado local, com a aquisição de equipamentos, contratação de empresas e mão-de-obra. A entidade defende ainda a expansão do plantio e colheita.

“O Amapá vai ser um líder na produção de soja não em quantidade, mas em qualidade. O Amapá pode acessar nichos de mercado muito interessantes dada a essa nossa localização estratégica aqui próximo ao porto e dada essa condição ambiental única que nós temos aqui”, apontou Daniel Sebben, presidente da Aprosoja.

Outras culturas

A característica de solo e clima do estado também facilitam o plantio de outros grãos no cerrado amapaense, como o milho, arroz e o feijão, que aproveitam as áreas usadas para a soja, segundo a associação.

“Com o clima amazônico, a rotação entre soja e milho foi possível. Podemos fazer uma safra de soja em um ano, colhemos e depois plantamos o milho. Elas têm demandas e mercados diferentes e se equilibram muito bem”, completou Sebben.

Fonte: G1