Roraima pede ajuda federal para manter segurança na fronteira com a Venezuela

Forças de segurança do estado se reuniram nesta terça-feira (8) com Suely Campos (PP) no Palácio Senador Hélio Campos, em Boa Vista, para discutir a segurança na região de fronteira entre Brasil e Venezuela. Por telefone a governadora conversou com Michel Temer e o ministro da Defesa, Raul Jungmann, para relatar a situação enfrentada pelo estado.

É a segunda vez neste ano que Roraima pede ajuda federal para reforçar a segurança no estado. Em janeiro, a governadora Suely Campos pediu o envio de 100 agentes da Força Nacional, após rebelião na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo deixar mais de 30 presidiários mortos.

Ao presidente Suely demonstrou preocupação com o agravamento da crise no país comandado por Nicolás Maduro. Após as eleições da Assembleia Constituinte, dia 30 de julho, centenas de venezuelanos voltaram a formar fila para atravessar para o Brasil pela fronteira com Roraima.

“Além de telefonar para o presidente, enviamos dois ofícios ao Palácio do Planalto expondo a gravosa situação que passa a segurança pública do estado. O presidente foi bastante sensível ao nosso pleito e disse que se reuniria com o ministro da Defesa para tratar dessa questão”, declarou a Suely Campos.

Desde o início da crise venezuelana milhares de estrangeiros vieram para Roraima. Dados da PF no estado apontam a constante onda migratória que segue o aumento da instabilidade política no país vizinho.

Segundo o governo, é necessário garantir o patrulhamento de toda extensão da fronteira do município de Pacaraima, distante 260 Km da capital Boa Vista, com a Venezuela. Dados da Polícia Civil apontam que na região existem vias de acesso clandestinas utilizadas para a entrada de drogas e armamentos para o estado.

O policiamento tem sido reforçado nas cidades de Boa Vista e Pacaraima, afirma o estado, mas a região de fronteira, que é de atribuição federal, precisa de mais controle.

“Temos dois mil quilômetros de fronteira seca. Queremos uma atuação preventiva das Forças Armadas para coibir a entrada desses criminosos e evitar que Roraima se transforme em corredor de passagem para esses ilícitos”, conta.

O apoio não se restringe apenas à segurança do estado, mas também ao auxílio técnico na documentação de imigrantes que chegam todos os dias à sede da Polícia Federal em Pacaraima. O objetivo da governadora é aumentar o efetivo de agentes e delegados para agilizar o encaminhamento de pedidos de refúgio e aos procedimentos criminais cometidos por imigrantes.

Outra preocupação de Suely Campos é com a divisa entre Roraima e Amazonas. Segundo o governo, a BR-174, que liga os dois estados, tem sido bastante utilizada para o tráfico de drogas e armas que entram pela fronteira com a Venezuela.

A intenção é que o programa Sentinela, que mantinha agentes federais no posto de fiscalização de Jundiá, na divisa com o Amazonas, seja reativado.

Na reunião também esteve presente o comandante da 1ª Brigada de Infantaria de Selva, Gustavo Dutra, que afirmou o compromisso do Exército na região Norte do estado. Segundo o comandante, todo efetivo de 3.500 homens do grupamento está disponível para fazer o patrulhamento em caso de determinação presidencial.

Imigração venezuelana

À medida que aumenta a tensão política e a crise de desabastecimento na Venezuela cresce o número de imigrantes no estado.

Em 2015 foram registrados 230 pedidos de refúgio de venezuelanos em Roraima. Um ano depois esse número subiu para 2.230 e até junho de 2017 já bateu a marca de 6.438 solicitações.

Conforme dados divulgados pela Polícia Federal em Roraima, a maioria dos venezuelanos que estão imigrando para Roraima são de Caracas, capital do país. Mais de 58% são do sexo masculino e jovens entre 22 e 25 anos. A maioria dos estrangeiros que vem para o estado são estudantes (17,93%), seguidos por engenheiros (6,21%), médicos (4,83%) e economistas (7,83%).

No Brasil, eles buscam trabalho. Nos últimos sete meses, o Ministério do Trabalho no estado (MTE-RR) registrou um recorde de emissão de carteiras de trabalho a venezuelanos. Nesse período foram quase 3 mil carteiras entregues a cidadãos venezuelanos. Em 2015, emitiram-se apenas 257 documentos, e 1.331 em 2016.

Fonte: G1