PF faz operação para combater esquema de exploração ilegal de ouro no Amapá

Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (30) a operação Minamata, para combater uma organização criminosa e um esquema de exploração e comercialização ilegal de ouro no Amapá.

A operação levou 180 policiais para as ruas com 6 mandados de prisão preventiva, 5 de prisão temporária, 8 de condução coercitiva e 30 de busca e apreensão, nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Amapá. Foi determinado também o bloqueio de R$ 113 milhões.

Segundo a PF, empresários do Rio de Janeiro e de São Paulo se apoderaram de uma cooperativa de garimpeiros no distrito de Lourenço, o mais antigo do país, e usaram os trabalhadores em condições análogas à escravidão. A organização criminosa teve participação de políticos locais, de acordo com as investigações.

A PF afirmou que o grupo se aproveitou de políticas públicas para inclusão social dos garimpeiros para disfarçar a exploração clandestina da área. A organização criminosa fingia que realizava apenas pesquisa mineral e extração artesenal de pequeno porte.

As investigações também apontaram para indícios de que a extração do ouro provocou forte impacto ambiental, devido ao uso indiscriminado de substâncias tóxicas, como mércúrio e cianeto. Além disso, a polícia estima que podem ter ocorrido 24 mortes de garimpeiros, a maioria por soterramento, em razão das condições precárias de trabalho.

Os investigados devem responder, segundo a polícia, pelos seguintes crimes: redução à condição análoga a de escravo; corrupção passiva; prevaricação; usurpação de matéria prima da União; extração ilegal de substâncias minerais; lavra ou extração não autorizada; uso ilícito de mercúrio; crime contra a fauna aquática; posse de artefato explosivo; organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A operação foi chamada de Minamata, numa referência a uma cidade japonesa onde, nas décadas de 50 e 60, houve o envenenamento de centenas de pessoas por mercúrio.

Fonte: G1