Sem receber R$ 1 mi, empresa que cuida do gramado da Arena AM ameaça paralisar

A empresa que cuida dos gramados da Arena da Amazônia e de outros dois estádios de Manaus (Carlos Zamith e Ismael Benigno) ameaçou paralisar as atividades a qualquer momento. O motivo é uma dívida de R$ R$ 999.657,99 que o Governo do Amazonas, responsável pelas praças esportivas, tem com a empresa. A Greenleaf não recebe pagamento desde janeiro de 2017.

Em release enviado à imprensa, a Secretaria de Estado de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel), órgão ligado ao Governo do Estado, confirmou as ameaças de paralisação e que está trabalhando para fazer o pagamento de pelo menos parte da dívida até o próximo mês. Segundo a titular da pasta, Janaina Chagas, a suspensão dos serviços no gramado deixaria, em menos de um mês, os campos sem condições de receber qualquer atividade e o gramado poderia morrer.

– Não temos como suspender os serviços dos gramados. Esse é um compromisso do governador Amazonino, de que esses serviços não parem, o objetivo dele é fazer o melhor para o esporte no Amazonas. E ele jamais permitiria que espaços como esses, inclusive o coração do esporte amazonense, que é a Arena da Amazônia, pare de funcionar por causa da irresponsabilidade da gestão anterior – pontuou a secretária da Sejel, Janaina Chagas.

A secretária, que assumiu a Sejel no dia 2 de outubro, e substituiu Fabrício Lima. Ela faz parte do governo de Amazonino Mendes, que vecneu eleição suplementar para um período de 12 meses após o antigo governador, José Melo, e seu vice, Henrique Oliveira, serem cassados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por compras de votos na eleição de 2014.

– Essa dívida está dentro do déficit de R$ 17 milhões (da Sejel), apresentado em coletiva de imprensa há uma semana. O dinheiro público foi tratado de forma irresponsável e nós temos agora um trabalho triplicado para tentar pagar dívidas de governos anteriores – completou Janaina Chagas.

Serviços nos gramados

A Greenleaf realiza serviços diários de poda do gramado, irrigação de acordo com as estações do ano e necessidades hídricas, adubação, controle de pragas, doenças e ervas daninhas. Além de operação do sistema de drenagem a vácuo, descompactação, aeração para facilitar a oxigenação do solo, cobertura de areia para nivelamento leve do solo e limpeza e eliminação de palha e excesso para estimulação ao desenvolvimento de raiz e novas folhas.

A suspensão desses serviços deixaria, em menos de um mês, os campos sem condições de receber qualquer atividade e o gramado poderia morrer. Segundo informações do agrônomo responsável pela manutenção dos gramados, dependendo do dano, a recuperação de todo o gramado, de qualquer um dos campos, custaria em média R$ 200 mil. O GloboEsporte.com não conseguiu contato com o engenheiro responsável da Greenleaf, Ricardo da Silva.

Antigo gestor se defende

De acordo com Fabrício Lima, que ficou à frente da Sejel de janeiro de 2016 até o mês passado, a secretaria tinha dívidas com a Greenleaf desde a Copa do Mundo, realizada em 2014, e que tinha negociado com a empresa e vinha pagando os débitos mais atrasados.

– Ao chegar na secretaria havia dívida até da copa do mundo, de 2014. Trabalhei para que as dívidas fossem pagas. Mas tudo combinado com a empresa. Não tinha nada sem acordo com a empresa. Tinha (dívida) desde a Copa do Mundo. Esse era o meu papel, de resolver. Não ficava apenas divulgando. Infelizmente estou aguardando as ações concretas da atual gestão. Tenho sido atacado de maneira constante e não estou entendendo o sentido. Estou torcendo para que tudo dê certo. orque o gestor tem que resolver. Divulgar é muito fácil. Não vou ficar batendo boca. Não é meu papel – disse Fabrício Lima, que não revelou os valores que herdou desde 2014.

Estádios para a Copa do Mundo

A Arena da Amazônia e os estádios Carlos Zamith e Ismael Benigo (Colina) foram construídos/reformados para a Copa do Mundo. A capital amazonense recebeu quatro partidas que foram realizadas na principal praça esportiva, construída com um custo de R$ 669,9 milhões. O Zamith teve um investimento de R$ 17 milhões e a Colina de R$ 21 milhões.

Fonte: GE