AP registra queda de 80% no furto de gado; prejuízo chegou a R$ 40 milhões

Durante dois anos de ações de combate ao furto de gado, o Amapá registrou em 2016 e 2017 uma queda de 80% nos casos da prática criminosa, recorrente em todos os municípios. A estimativa é da Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária (Diagro), levantada com informações da Associação de Criadores do Amapá (Acriap).

Os furtos estavam causando grandes prejuízos a fazendas amapaenses e do Pará, além dos riscos à saúde devido ao abate e venda, ambos, de forma irregular. Com esse problema se agravando, os criadores fundaram, em junho de 2016, a associação.

De acordo com o presidente da Acriap, Jesus Pontes, o estado chegou a ter um dano financeiro de mais de R$ 40 milhões em 2015, com uma média de mais de 1,5 mil cabeças de gado furtadas por mês, momento em que houve a mobilização para pedir auxílio aos órgãos públicos da Segurança e Justiça.

“A Acriap foi fundada com o objetivo de auxiliar os órgãos públicos para que juntos pudéssemos construir políticas de combate ao furto de gado. A partir disso, trabalhamos para identificar os responsáveis por esse tipo de crime organizado”, destacou.

Diante do problema, um encontro foi realizado na quarta-feira (10) em Macapá para discutir soluções. Estiveram presentes representantes do Amapá e Pará da Secretaria de Segurança Pública, Ministério Público, Diagro, Polícia Militar e Tribunal de Justiça, além dos pecuaristas.

Segundo o diretor-presidente da Diagro no Amapá, José Renato Ribeiro, novas ações serão organizadas para combater os furtos e identificar as pessoas que fazem parte da rede criminosa. Para ele, a união dos estados vizinhos é fundamental.

“A reunião é para dar início a uma discussão e fortalecimento de medidas voltadas para o furto de gado porque é uma situação que requer esforço dos dois estados, para proteger a economia da região, o criador e os consumidores, evitando que consumam uma carne sem inspeção”, destacou Ribeiro.

Outra preocupação da Diagro é com a certificação de área livre da aftosa, com vacinação. O Amapá foi o último estado do país a ser reconhecido e a venda da carne clandestina, sem inspeção, pode tirar o título da região Norte.

“O Amapá já é certificado como área livre de febre aftosa e o Brasil todo vai receber, agora em maio, uma certificação internacional […]. E toda situação de furto pode colocar em risco toda sanidade da região e um único caso se tivermos aqui iria manchar todo o país no ponto de vista econômico”, finalizou o diretor.

Fonte: G1