Amapá registrou mais de 100 casos de crimes contra idosos em três meses

Mais de 100 casos de violência contra o idoso foram registrados nos três primeiros meses do ano no Amapá. A informação é do Setorial da Pessoa Idosa, do Conselho Popular do Congresso do Povo (Conpop) de Macapá, que aponta como principais motivos o abandono e o uso indevido de cartões e dinheiro, por parte dos próprios filhos.

Discriminação e maus-tratos também são frequentes, segundo o setorial, e são crimes citados no Estatuto do Idoso, que determina os direitos de quem tem mais de 60 anos. De janeiro até terça-feira (3), 113 casos de violência foram registrados.

Boa parte das queixas de violência são cometidas pelos próprios filhos, e, por isso, os registros são mais complicados.

“A própria família do idoso o abandona ou o explora, usam o dinheiro que recebem de aposentadoria e os deixam em situações insalubres. Muitas vítimas acabam não registrando queixas por serem filhos, netos”, disse Nádia Souto, coordenadora do Setorial.

De acordo com Nádia, os crimes de violência mais recorrentes são por ofensa moral e financeira. Ela comenta ainda que há casos em que vizinhos ou testemunhas são quem denunciam os maus-tratos.

“Muitas vezes os idosos estão enfraquecidos e não têm o apoio de ninguém, por isso os casos geralmente são registrados por vizinhos ou pessoas que acabam presenciando a situação”, ressaltou.

Medidas protetivas para essa população perderam força com a inatividade do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa, segundo Nádia. As atividades do local criado para assegurar a cidadania de idosos foram paralisadas há cerca de oito meses. Apenas Macapá, Santana e Oiapoque têm conselhos municipais.

“Apenas três dos municípios do estado têm conselho e isso afeta diretamente no trabalho de assistencialismo para muitos idosos, principalmente os que vivem no interior do estado. Mesmo sem o pleno do conselho estadual não existir, estamos tentando auxiliar essa população como podemos”, destacou Nádia.

De acordo com o levantamento feito pela setorial, no ano passado foram registradas 253 ocorrências, sendo que 28 casos resultaram em mortes. Outro dado levantado sobre 2017 é que as mulheres foram as mais violentadas. Por outro lado, os homens foram os que mais morrem. Nos casos de óbitos apenas duas foram mulheres.

Em comparação ao ano anterior, as perspectivas são ruins. De acordo com Nádia, seguindo a média dos três primeiros meses do ano, o número de ocorrências pode se igualar ainda neste primeiro semestre ao registrado em todo o ano 2017 ou em anos anteriores.

“Os números mostram que poderemos ter um dos anos mais violentos para a população idosa nos últimos tempos. Esse ano poderá se igualar ou ultrapassar 2016, quando 339 ocorrências foram registradas”, lamentou Nádia.

Fonte: G1