Educadores do AP acatam proposta salarial do governo e suspendem greve

Após audiência de conciliação intermediada pela Justiça do Amapá durante manhã e tarde desta quarta-feira (4), os educadores do estado resolveram, em assembleia, suspender a greve. A classe acolheu as proposições do executivo de reajuste linear de 2,8% e aumento de 15% para 20% na regência de classe, além de corte na tabela de progressão que representa 3,3% de reposição salarial.

Com a decisão, as aulas na rede pública estadual voltam ao normal na quinta-feira (4), garantiu a presidente do sindicato, Katia Cilene. Foram quase nove horas de negociação, mediada pelo desembargador Carmo Antonio. A categoria diz que acatou o reajuste salarial, mas que outros pontos da pauta de exigências precisam de resposta.

“O comando de greve vai se reunir para apresentar quais pontos não foram contemplados e voltaremos com novos indicativos de mobilização. Não de greve, mas de valorização da educação”, informou a presidente.

O secretário de Planejamento Teles Júnior explicou que, durante a negociação, o governo esgotou todas as possibilidades financeiras para atender ao sindicato.

“Temos certeza que chegamos a um entendimento comum, com propostas boas tanto para o estado, dentro dos limites fiscais, como para o sindicato, de valorização do servidor. O governo se comprometeu a cortar um nível de classe, que terá efeito financeiro a partir de setembro. O impacto na folha será de R$ 1,6 milhões”, falou o gestor.

A lei que vai garantir o benefício de 3,3% de reajuste salarial será encaminhada para aprovação da Assembleia Legislativa, junto com os demais benefícios que foram concedidos ao segmento, completou o secretário.

Secretário geral do Sindicato dos Servidores Públicos em Educação no Amapá (Sinsepeap), Otávio Brito deixou a audiência de conciliação garantindo que houve avanço no diálogo entre as partes.

“Conseguimos avançar em diálogo com o governo. O pleito no corte da tabela tem mais de 10 anos de reivindicação, e para gente é um avanço. Inclusive, vai ajudar colegas que vêm pleiteando aposentadoria e esse valor vai impactar no cálculo. É um pequeno avanço, mas já é uma recomposição das perdas salariais”, disse.

A campanha salarial da Educação, segundo o sindicato, foi construída baseada em três eixos: valorização salarial, saúde do trabalhador e gestão democrática. De acordo com Brito, a audiência garantiu indicativos de cumprimento dessas solicitações.

“A gente saiu com um cronograma de implementação da Gestão Democrática, com cursos de qualificação para gestores, projeto de lei que vai estabelecer um plano de saúde, com gestão compartilhada e que, segundo o governador, já está na Assembleia Legislativa para votação”.

A reunião no Tribunal de Justiça encerrou por voltas das 18h. Enquanto um grupo participava da audiência, outro maior, formado por cerca de 300 educadores, segundo a coordenação, aguardava na Praça da Bandeira, no Centro de Macapá, para deliberar se aceitaria ou não a proposta do executivo. Assim, por volta das 20h desta quarta-feira, o segmento definiu aceitar as propostas e retornar às salas de aula.

Fonte: G1