No Acre, educandário que acolhe crianças vulneráveis há 70 anos vai receber apoio do Criança Esperança

O Educandário Santa Margarida, em Rio Branco, foi a instituição escolhida para receber o apoio do Criança Esperança 2018. Os pequenos chegam indefesos e inocentes na instituição e precisam desde cedo encarar caminhos difíceis e, muitas vezes, tudo começa no educandário.

O Criança Esperança é uma das maiores campanhas sociais de arrecadação do mundo. O projeto é fruto de uma parceria entre a Rede Globo e Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e há mais de 33 anos mobiliza milhões de brasileiros em torno da defesa dos direitos da infância, adolescência e juventude no Brasil.

A instituição acolhe crianças e adolescentes vítimas de abandono, maus-tratos, prostituição infantil e todos os tipos de violência na capital acreana. A assistente social Rosemeyre Santos destaca que as crianças chegam ao local carentes de carinho e atenção. Já os cuidados com a saúde dependem muito de cada caso.

“O problema em si, vem da família. A gente, enquanto educandário, não tem uma estrutura para trabalhar toda família. Há casos desde a fome, pais que não são alfabetizados e que também já vieram de uma situação de vulnerabilidade social, e abusados. Acaba sendo um ciclo”, conta.

Doações

Para quebrar as barreiras é preciso que essas crianças e adolescentes recebem ajuda. O coordenador financeiro do educandário, Nilton Cosson, lembra que a instituição vive essencialmente de doações.

“Nós temos a lei de subvenções sociais que repassa, através do governo do estado e prefeitura, o recurso que minimamente paga os funcionários”, destaca.

O educandário abriga 30 meninos e meninas. O apoio parte das empresas que fazem doações. Professores, cozinheiros, psicólogos e assistententes sociais trabalham para tentar transformar o educandário em um lar pra essas crianças e adolescentes.

A educadora pedagógica Luciana da Silva relata que muitas crianças precisam ser estimuladas até ao que é tão comumm, como o ato de brincar. Segundo ela, algumas não sabem nem mesmo como usar um brinquedo.

“Temos a sala de estimulação que tem o intuito de trabalhar com as crianças de uma fase de 0 a 5 anos que são de uma realidade muito precária e não têm esses estímulos em casa. Aqui a gente faz esse trabalho, ensina a criança a brincar e elas aprendem brincando. Elas não sabem pra que serve um brinquedo ou como brincar, algumas vêm e ficam um pouco tímidas. Então, fazemos esse estímulo, para que aprendam brincando”, explica.

Rede de acolhimento

O educandário também atua na construção de uma rede com outras organizações de acolhimento de Rio Branco disponibilizando capacitações para o fortalecimento do serviço de proteção.

Entre as principais atividades estão curso para 100% dos profissionais da rede de atendimento e serviço de acolhimento dos quatro abrigos da capital acreana e do programa de acolhimento familiar. Há ainda a construção da rede de apoio familiar e oficinas de arte e música. As crianças em idade escolar também estão todas matriculadas na rede pública.

Inscrição no Criança Esperança

No berçário do educandário estão 15 crianças entre 0 e 2 anos de idade. A maior parte dos bebês nunca teve a oportunidade de conhecer os próprios pais.

Para melhorar os serviços este ano, a coordenação do educandário se inscreveu no Criança Esperança. A campanha já arrecadou mais de R$ 350 milhões, tem mais de 5 mil projetos sociais apoiados e mais de 4 milhões de crianças e adolescentes beneficiados.

A iniciativa dos coordenadores do educandário deu certo. O local recebeu uma visita surpresa do ator global Silvero Pereira que conheceu as instalações do local, falou com os funcionários, foi até a horta, a cozinha, e claro, deu e recebeu o carinho das crianças.

“Eu saio daqui muito feliz e muito emocionado de um trabalho sério como esse está sendo contemplado com o Criança Esperança 2018. Isso é um resultado não só do Criança Esperança, mas também de quem faz uma doação e contribui pra que a gente tenha um país mais solidário e melhor. Esperança não se faz sozinha, se faz todo mundo junto e me sinto honrado de fazer parte desse time”, destacou.

Para o coordenador financeiro da instituição, Nilston Cosson, o apoio do Criança Esperança pode contribuir para que o educandário possa oferecer melhores condições às crianças e oferecer o que elas necessitam no dia a dia.

“Isso pode contribuir para que a gente ofereça uma boa alimentação, boas opções de lazer e ainda mais um acompanhamento social porque eles chegam com traumas aqui. Todo um acompanhamento tem que ser feito, não apenas aqui, mas também com as crianças e com as famílias. Se as famílias não estão preparadas para recebê-los, como que a crianças vão chegar lá? E depois acabam voltando”, relata.

Fonte: G1