Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz toca obra espanhola no Festival de Ópera

A Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz (OSTP) estreia sua primeira obra em espanhol na programação do XVII Festival de Ópera do Theatro da Paz: “A Vida Breve”, de Manuel de Falla (1876-1946), com regência do maestro titular Miguel Campos Neto. A apresentação será nesta quinta-feira (9), às 20h, e terá a participação do instrumentista Marcio Bonefon, que veio diretamente da Espanha para executar o violão em um trecho da ópera, e com destaque à percussionista da orquestra Ruth Sousa, responsável pelas castanholas – típicas da cultura popular ibérica e que carregam um som peculiar. Os ingressos estão à venda.

Os elementos sonoros misturam o erudito e o popular. Apesar de ser uma obra curta, com duração de 1h10, aproximadamente, em dois atos que serão apresentados de forma contínua, “A Vida Breve” apresenta em seu enredo questões sociais e políticas importantes e isso reflete também na complexidade e inovação musical no mundo operístico. Outra escolha do compositor, além dos instrumentos populares, foi incluir sons de bigornas para representar os operários que vão entrar em cena. Esse tipo coro lírico também demonstra um rompimento com a escola nacionalista na história da música, passando do tom ufanista para uma representação da realidade.

“Já tocamos obras de compositores espanhóis em outros concertos, mas é a primeira vez que vamos executar uma obra do Manuel de Falla, que é engajada socialmente, tanto no enredo apresentado no libreto, que é sobre um romance entre um homem e uma mulher de classes sociais diferentes, quanto na música, que não é fácil por representar esse conflito. É legal lembrar ainda que esse compositor é da geração nacionalista, mas ele sai do tom de enaltecer o seu país para fazer críticas”, explica o maestro.

Sons típicos

A percussionista Ruth Sousa executará a castanhola, um instrumento muito antigo na Europa e que ficou conhecido no mundo todo como uma das marcas da música da cultura flamenca, originária nos ciganos de além-mar. Historicamente associada às classes menos abastadas, Miguel conta que as castanholas começaram a ser incorporadas nas apresentações de corte por sua energia e pela sonoridade contagiante. Elas estarão junto às sinfônicas.

Há dois tipos, a manual e a de mesa. Para a ópera “A vida breve” foi escolhida a do tipo manual, e existe a possibilidade de Ruth Sousa subir ao palco para executá-las perante o público, e não no fosso – onde a orquestra se posiciona para as apresentações do festival de ópera. “Queremos algo mais autêntico, por isso fizemos essa opção. Vamos ver se vamos conseguir colocá-la no palco”, adianta Campos Neto.

Acostumado a tocar música flamenca, o violonista Márcio Bonefon, que entrará no segundo ato, também vai trazer à sonoridade a ópera essa autenticidade espanhola. “O Falla faz muitas modulações dentro do tom flamenco. Então, tive que estudar bastante as entradas. O que me ajudou muito foi a partitura do piano, pois cheguei num meio termo. Não vou fazer algo tão livre, porque o flamenco em alguns momentos é livre, mas existem ao mesmo tempo muitos compassos. É uma obra maravilhosa”, diz Bonefon.

Miguel diz que o público vai se deparar com uma obra muito diferente das óperas já apresentadas no festival, que notadamente tem uma tradição de óperas italianas. O maestro acredita que isso possibilita diversificar os títulos, proporcionando ao espectador diferentes opções musicais. “A Espanha não é vista como o berço da ópera, mas aqui será possível ver uma obra daquele país”, diz.

O XVII Festival de Ópera do Theatro da Paz, com La Vida Breve, terá três récitas, nos dias 9, 10 e 11 de agosto. O festival segue com sua programação até setembro, com a estreia da segunda obra, “Un ballo de maschera”, nos dias 8, 10 e 12 de setembro. O evento se encerra com o tradicional concerto, no dia 15 de setembro, às 20h. Os ingressos estão sendo vendidos na bilheteria do Theatro da Paz, apenas, porque as vendas on line já esgotaram.

Serviço: La vida breve – M. DE FALA, dias 9, 10, 11 de agosto, às 20h.

Duração: 1h10 – Dois atos – Sem intervalo

Classificação etária: 12 anos

Ingressos na Bilheteria do Theatro da Paz: Plateia, Varanda, Frisa e Cam. 1ª: R$ 80,00

Camarote de 2ª: R$ 40,00; galeria: R$ 20,00; paraiso: R$ 10,00

Mais informações: (91) 4009.8758.

Fonte: G1