Moradores de área Central de Macapá reclamam de baderna e barulho que atormentam as noites

Moradores do bairro Trem, mais precisamente da Rua General Rondon, esquina com a Avenida Acelino de Leão, que dá acesso à orla de Macapá, dizem não aguentar mais a baderna realizada frequentemente por dezenas de pessoas que se aglomeram nas imediações da área. O barulho de som, gritos e outros excessos acontecem nas noites de quinta-feira a domingo.

Um vídeo gravado por uma moradora mostra os exageros cometidos. Nas imagens aparecem carros buzinando alto, ocupando vias e as calçadas, atrapalhando o trânsito e bloqueando entrada de garagens das casas.

Segundo relatos, a polícia é acionada e faz ronda no local, mas basta as viaturas saírem para que o movimento recomece. Os moradores dizem que a situação vem ocorrendo há cerca de um ano e que muitos chegam a ficar até às 4h. Eles dizem também que a situação vem piorando, com pessoas urinando, usando drogas e até defecando em frente das casas.

Nascida e criada no bairro, a auxiliar de secretaria Fabiane Marques, de 28 anos, diz que tem passado noites em claro por conta da situação.

“É um tormento. As pessoas ficam bebendo, tem competição de som, fora o buzinaço, falatória, o desrespeito aos moradores. As pessoas estão mijando na porta das casas, o fedor é horrível. Tem disputa de som de carro. Queremos uma resposta em relação a barulheira. A rua virou point, e se a gente reclama é xingado e ofendido”, relatou.

Outra moradora, que preferiu não se identificar, diz que a bagunça não dá trégua de madrugada.

“Está piorando cada vez mais. A polícia até vem aqui, aparta, mas depois quando vai embora todo mundo volta. Minha irmã tem uma bebê e teve que sair de casa para poder conseguir dormir. A nenê fica agitada. Além do uso de drogas, o cheiro é muito forte. A gente não aguenta mais. Isso ocorre geralmente de quinta a domingo”.

Um comerciante da região, que afirma manter o estabelecimento aberto até 1h, comentou que a aglomeração iniciou quando passou a ser proibido estacionar na orla da cidade, o que fez as pessoas migrarem para o bairro Trem.

Para tentar conter o barulho, o microempresário espalhou no comércio dele e nas redondezas placas informativas de “proibição de som automotivo” e “proibido estacionar”, mas não teve resultado.

“Eu vivo do que eu vendo, mas respeito o horário de funcionamento. Infelizmente não temos poder sobre as pessoas. Mandei fazer as placas, mas muitos não respeitam. Aqui também é proibido venda para menores e bebidas são vendidas somente para viagem, mas muitos já até trazem as suas bebidas. Houve a migração da orla para cá após a proibição de estacionar”, disse o comerciante.

Sobre a proibição de estacionamento na orla, a Companhia de Trânsito e Transporte de Macapá (CTMac) explicou que existe um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) determinando que, após a meia-noite é proibido parar veículo no entorno da Fortaleza e que existe uma recomendação do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) nesse sentido. Em outras áreas a proibição vale das 2h às 6h.

O titular da Delegacia do Meio Ambiente (Dema), Leonardo Brito, informou que não recebeu registros dos moradores sobre os fatos, mas disse que vai fiscalizar o local.

“Trata-se de poluição sonora e perturbação do silêncio. Solicitarei uma fiscalização imediata no local para apurar os responsáveis e aplicar as devidas providências”, disse o delegado.

Como denunciar

Crimes contra o meio ambiente podem ser denunciados por qualquer pessoa pelo disque denúncia 99132-0777 (Dema). Quem preferir, pode ter a identidade preservada.

Fonte: G1