Sindicato diz que 10 mil servidores públicos estão com salários atrasados em Roraima

Cerca de 10 mil servidores públicos do estado estão com o salário do mês de setembro atrasado, informou nesta quarta-feira (17) o Sindicato dos Trabalhadores Civis Efetivos do Poder Executivo do Estado de Roraima (Sintraima). A dívida do governo chega a R$ 65 milhões somente com a folha de pagamento.

Além dos trabalhadores, o governo deve R$ 40 milhões em duodécimo ao legislativo, judiciário e órgãos de controle. O valor, segundo representantes dos poderes, se refere a atrasos mensais e de um parcelamento feito em janeiro.

No fim da tarde, o secretário de Planejamento do estado, Haroldo Amoras, disse que foi feita uma reunião entre os poderes e que a prioridade é garantir a folha de pagamento dos órgãos. No entanto, não se chegou a uma solução. Uma outra reunião para apresentar a situação financeira do estado deve ocorrer nesta quinta-feira (18) e somente a partir daí terá, ou não, uma saída.

Em assembleia extraordinária na tarde de hoje, os servidores da saúde, educação e segurança se reuniram no Sindicato dos Policiais Civis, no Jóquei Clube, zona Oeste de Boa Vista, para discutir sobre o atraso, que também atinge outras categorias.

Na ocasião, o presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Secretaria de Fazenda de Roraima, Jorge Teixeira, disse que em 2018 o estado recebeu mais recursos se comparado ao ano passado, e isso não justificaria a crise financeira e os atrasos nos salários.

De acordo com o levantamento feito pela categoria, o estado arrecadou em setembro deste ano R$ 625 milhões, R$ 49 milhões a mais que no mesmo período do ano passado.

“Houve um incremento de receita, portanto, de imediato, a gente já descarta essa ideia de que o estado estava ou está falido”, disse Teixeira.

Com relação ao Fundo de Participação dos Estados (FPE), o estado também apresentou superávit. Até setembro do ano passado o estado havia recebido R$ 1,544 bilhões. Já no mesmo período deste, o valor subiu para R$ 1,649 bilhões. Em coletiva na Assembleia, a presidente do Tribunal de Justiça informou que até setembro, o estado teve lucro de R$ 575 milhões a mais este ano.

As informações foram extraídas do próprio sistema de contabilidade do governo, onde estão disponíveis todas as despesas. No entanto, a categoria afirma que atualmente, o défict nas contas públicas é de aproximadamente R$ 600 milhões.

Usando os mesmos índices de crescimento, o sindicado fez uma projeção para outubro a dezembro. O estudo estimou que o governo pode ter uma receita de R$ 375 milhões de R$ 549 com despesas, o que pode gerar um déficit R$ 174 milhões e complicar ainda mais a situação financeira do estado.

“O que vai solucionar o nosso problema é o diálogo entre os poderes. A única alternativa que a gente consegue enxergar para os pagamentos dos salários é uma negociação do chefe do executivo com os poderes para que se pague parte do duodécimo e os salários dos servidores até dezembro”, declarou.

Teixeira disse ainda que sindicato tentou por diversas vezes dialogar com o secretário de Fazenda em exercício para tratar sobre as finanças do estado, mas sem êxito. Segundo ele, o ex-secretário de fazenda, Kardec Jackson, já havia alertado ao governo do ajuste fiscal que era necessário ser feito para equilibrar as contas.

O Sintraima disse ainda que os representantes dos sindicatos irão se reunir com a governadora Suely Campos (PP), no Palácio Senador Hélio Campos, para tratar do assunto. Os servidores não descartaram paralisação das atividades em vários setores no estado.

Agentes penitenciários suspendem atividades

O Sindicato dos Agentes penitenciários informou que as atividades já foram suspensas em todas as unidades do sistema prisional. A partir desta quinta (18), a paralisação deve afetar toda a parte administrativa e de vigilância interna. A entrega de materiais e comida e as visitas também serão suspensas.

“Os funcionários não têm condições de se deslocar até as unidades prisionais por causa dos atrasos de salários que já ultrapassa os 45 dias”.

CERR

O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústria Urbana do Estado de Roraima (STIU), também informou que mais de 500 servidores da Companhia Energética de Roraima (Cerr) estão há mais de 100 dias sem receber.

Fonte: G1