Polícia recebeu quase 100 mil chamadas através do 190 no Amapá; quase 18% foram trotes

Até o fim da primeira quinzena de dezembro, o Centro Integrado de Operações em Defesa Social (Ciodes) de Macapá, que concentra as chamadas aos números 190 (Polícia Militar) e 193 (Corpo de Bombeiros), recebeu quase 100 mil ligações para atendimentos de segurança pública. Até esta sexta-feira (13), foram 98.177 solicitações.

O dado deve ser menor que todo o registro feito no ano passado, quando foram registradas 121.600 ligações. Em 2018, do total de chamadas, 73,95% foram destinadas a atendimentos para a PM, 15,19% destinados ao Corpo de Bombeiros e 5,44% divididos entre Polícia Civil e Técnico-Científica (Politec).

“Esses dados servem para nortear a atuação da Segurança Pública, a gente entende que a questão da criminalidade não é um problema da polícia. Estamos lá para resolver depois que acontece. Existe uma série de problemas sociais, de estrutura, que podem nos ajudar a melhorar”, argumentou o delegado Paulo Cesar Martins, coordenador do Ciodes.

O órgão também alerta para a prática de trotes, que mobiliza equipes de segurança para ocorrências inexistentes que impede, em alguns casos, o socorro de urgência. O Ciodes apontou uma redução de quase metade das ocorrências desde 2016, principalmente com campanhas de conscientização.

“Diminuimos nos últimos dois anos de 30% para 18% de trotes. Estamos nas escolas conscientizando crianças e adolescentes de que o trote pode parecer uma brincadeira, mas quando é para órgão público pode tirar vidas, além da questão do gasto. A gente pede que as crianças se conscientizem e orientem os pais, porque adultos também fazem isso”, argumenta Martins.

Projeto Alozinho

O Alozinho foi criado em 2011, em homenagem a bombeiro militar Patrícia Gonçalves Façanha, morta em um acidente no caminhão da corporação enquanto se deslocava para atender a uma falsa chamada de incêndio, em 6 de janeiro de 2006. Desde então, ações são realizadas.

A morte da oficial resultou na criação da lei que implementou o projeto Alozinho, no qual o Ciodes atua com campanhas educativas em cidades, comunidades e escolas, visando orientar as pessoas sobre chamadas falsas, feitas, geralmente, por crianças, adolescentes e jovens.

A maioria das chamadas, segundo o Ciodes, são registradas de telefones públicos, para evitar a identificação.

Acionamento

Com base nas ocorrências feitas através dos números 190 e 193, as mortes violentas intencionais, que incluem homicídios, latrocínios e lesões corporais, já apresentam aumento neste ano em relação ao ano passado. Até o momento são 393 casos, contra 369 do ano passado.

Fonte: G1