Após quase 5 anos interditado, prédio histórico de escola no AP recebe obra de restauração

Após quase cinco anos fechada, o prédio histórico da Escola Estadual Barão do Rio Branco, no Centro de Macapá, começou a receber uma obra de restauração. O lugar é a primeira instituição de ensino construída em alvenaria no Amapá, em 1946.

As obras iniciaram na quarta-feira (2) e têm o prazo de um ano para a entrega. O orçamento dos trabalhos passa dos R$ 5 milhões, informou a Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinf), responsável pela restauração.

Desde que foi fechada, em 2014, cerca de 500 alunos estão estudando em um espaço alugado no mesmo bairro. Quando as aulas ocorriam no prédio original, a escola abrigava 1,2 mil estudantes. A ideia é que a restauração do prédio histórico permita o retorno das atividades da escola numa área maior e sirva para suprir a demanda nos bairros próximos.

A empresa contratada recebeu a ordem de serviço no dia 17 de dezembro. Mas, ao entrarem no prédio, técnicos constataram que haviam moradores de rua ocupando o local, sendo necessário um diálogo para que não acontecesse nenhum conflito. Eles saíram da área para que a obra pudesse ser iniciada.

A primeira parte da obra será uma limpeza geral, uma vez que a estrutura está coberta de mato, poeira e de restos deteriorados da própria estrutura do prédio. São de 30 a 50 profissionais contratados diretamente e outros que farão serviços isolados durante o período das obras.

Alcir Matos, titular da Seinf, destacou que a proposta é restaurar o prédio histórico e não fazer uma reforma.

“Todo o prédio têm uma estrutura, características de prédios dos anos 40 e isso faz parte da história do Amapá. Vamos fazer algumas readequações, até mesmo para o melhor conforto dos alunos, mas vamos manter a integralidade da estrutura da escola”, explicou.

Espaços como o Cine Territorial, um dos principais símbolos da memória audiovisual do estado, também será restaurado durante a obra.

A Seinf garantiu que não haverá interrupções na restauração do prédio. A previsão da secretaria é que o colégio esteja disponível para as aulas do ano letivo de 2020.

Prédio fechado e abandonado

Resistindo ao tempo, ao vandalismo e ao abandono, o prédio da escola Barão do Rio Branco tem 72 anos. Ela foi inaugurada com o nome de “Grupo Escolar de Macapá”, no dia 20 de abril de 1946, com grande festa, pois se tornava a primeira escola em alvenaria da capital, localizada no Centro da cidade.

Apesar da importância histórica, o prédio não é tombado como patrimônio. O prédio foi fechado em 2014 para uma reforma e os alunos foram tranferidos para um local provisório alugado na Avenida Iracema Carvão Nunes, também no Centro.

Nesses quase cinco anos de interdição, a área da escola sofreu danos. O prédio foi pichado, tomada pelo mato, pelo lixo e a maior parte da estrutura do prédio foi depredada, como janelas, portas, banheiros e salas. Alguns itens também foram saqueados nos anos em que a unidade esteve fechada, entre mesas, cadeiras, livros e lâmpadas.

Fonte: G1