Baleia-jubarte encalhada em arquipélago será estudada e deve ser exposta em museu do AP

A ossada de uma baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) que encalhou no fim de 2018 no arquipélago do Bailique, a 180 quilômetros de Macapá, vai ser estudada por especialistas do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa), que tem a intenção de exibir o material dentro de um museu na capital.

O animal, de 12 metros de comprimento e sexo não identificado, foi encontrado morto por moradores da região, na localidade de Ilha Vitória, no dia 15 de dezembro. Não se sabe o que causou a morte da baleia.

De acordo com o Iepa, os ossos serão transportados até a capital para que os estudos sejam realizados em segurança, já que o local sofre com a ação das águas do rio e do mar. O instituto anunciou que pensa em, futuramente, expor o material no Museu Sacaca, na Zona Sul de Macapá.

Especialistas do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM) apontaram que o encalhe ocorreu quatro dias antes do animal ser encontrado, ou seja, no dia 11 de dezembro. O IDSM trabalha em parceria com o Iepa.

De acordo com a oceanóloga Miriam Marmontel, líder do grupo de pesquisa do IDSM, a baleia foi encontrada em uma região de estuário (onde o rio se mistura com o mar através de vários canais ou braços). Não existe registro de outro aparecimento de jubartes, vivas ou mortas, na costa do Amapá. Esse é o primeiro relato, apontou o IDSM.

No dia 4 de janeiro, uma equipe de pesquisadores do Iepa e de policiais do Batalhão Ambiental da Polícia Militar (PM) foi até o local onde está a ossada para iniciar o processo de retirada do esqueleto.

O instituto informou que o material, que pesa cerca de uma tonelada, deve ser transportado até a capital por uma balsa, e que, apesar do esforço para a pesquisa, não será possível definir a causa da morte devido o avançado estado de decomposição. Os pesquisadores vão limpar os ossos e organizá-los.

Segundo o Iepa, foi recolhido material genético o que deve ajudar a descobrir o sexo do animal e a qual grupo ele pertencia, para saber de qual hemisfério ele era nativo.

O Instituto Mamirauá, especialista em mamíferos aquáticos, destaca que o principal fator de mortalidade de cetáceos ao redor do mundo são as redes de pesca. No caso da jubarte encalhada no Bailique, essa é uma hipótese não descartada, no entanto, o Instituto ressaltou que, em razão do estado de decomposição, não será possível identificar a razão da morte.

O animal só foi encontrado vivo em águas próximas ao Amapá longe da costa, ou seja, em águas profundas e oceânicas, durante as pesquisas de buscas por petróleo, informou o Iepa. Na costa Norte do Brasil, só existe o registro de encalhe de baleias jubarte nos Estados do Maranhão e Pará e, agora no Amapá.

“Existem relatos de encalhe de baleias em Maranhão, Piauí e um no Pará. Na Costa Norte é muito raro ter Jubarte. Todos os registros foram de animais mortos, e esse no Amapá é realmente o primeiro, e nem era esperada a ocorrência para a região”, ressaltou a pesquisadora Miriam.

Fonte: G1