CRM derruba interdição para cirurgias eletivas no HGR e maternidade de RR

O Conselho Regional de Medicina de Roraima (CRM- RR) retirou a interdição ética para a realização de cirurgias eletivas – aquelas agendadas previamente – na Maternidade Nossa Senhora de Nazareth e no Hospital Geral de Roraima, em Boa Vista. O anúncio foi feito em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (4).

Segundo a presidente do CRM, Rosa Leal, a decisão pela desinterdição ética dos médicos foi tomada “em razão de gradativamente estarem sendo sanados os graves problemas que levaram à interdição”.

A interdição nas duas unidades aconteceu em 1º de novembro do ano passado após uma fiscalização constatar falta de medicamentos e materiais necessários para cirurgias.

“Fizemos uma nova fiscalização e concluímos que o abastecimento ainda não é satisfatório, mas esta se resolvendo gradativamente e já dá para recomeçar”, declarou Rosa Leal à imprensa, afirmando que, no entanto, há uma condicionante.

“Essa desinterdição está aberta, mas quem tem a palavra final é o médico que vai realizar a cirurgia. Se ele achar que não é seguro fazer o ato e o paciente corre risco a cirurgia pode ser suspensa”, disse.

Segundo ela, em novembro a fiscalização encontrou uma situação de “caos” e total desabastecimento nas unidades. “Não havia a menor possibilidade de realização de cirugias eletivas por falta de material e medicamentos para o pós-operatório”.

Ela disse ainda que, com a desinterdição, os pacientes poderão fazer cirurgias eletivas a partir da meia-noite deste sábado (5). A exceção é nos casos de cirurgias eletivas ortopédicas e neurológicas, que ainda estão em trâmite para voltarem a ser feitas.

“A equipe que controla lista de cirurgias fará contato com os pacientes em espera”, afirmou Rosa Leal.

O titular da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), Ailton Wanderley, nomeado para a função ainda em dezembro pelo interventor e agora governador Antonio Denarium (PSL), disse que está direcionando todos os recursos próprios da Saúde e de emendas para a compra de medicamentos e materiais.

O objetivo, segundo ele, é normalizar o abastecimento de itens necessários para as cirurgias “muito em breve”.

“Ainda não temos condições de abastecimento em 100% , mas vamos regularizar isso para que todas as cirurgias possam ser realizadas tanto no HGR quanto na maternidade”.

Segundo ele, ao menos 400 pacientes que deixaram de fazer as cirurgias eletivas no período da interdição ética dos médicos nas duas unidades de saúde.

Levantamento de contas e intervenção na Saúde

Conforme Blenda Garcia, coordenadora do departamento de fiscalização do CRM-RR, uma intervenção estava em curso na Saúde desde 23 de outubro.

Ela disse que, nessa data, o CRM foi chamado pela Justiça e se formou uma comissão de intervenção na Sesau composta pela PM e conselhos de Medicina e Farmácia. O grupo, que ganhou uma sala no quartel geral da PM, levantou as contas e contratos da pasta.

“Nós acompanhávamos os contratos desde o começo, íamos atrás. Só descansávamos quando os remédios chegavam às unidades. Foi um trabalho árduo e silencioso e acho que conseguimos adiantar muitas coisas, detectar e repor medicamentos que faltavam”.

Roraima esteve sob intervenção federal de 10 a 31 de dezembro do ano passado. A medida foi tomada frente ao caos nas contas públicas do estado que tem dívidas de mais de R$ 6 bilhões. O interventor era Antonio Denarium (PSL) empossado governador no dia 1º.

A intervenção expirou no dia 31, mas um decreto disponibilizado na quarta (2) colocou o estado em situação de calamidade financeira por 180 dias a partir de 28 de dezembro.

Fonte: G1