Debate e mostra fotográfica em universidade no AP discutem proteção dos Corais da Amazônia

Alertas sobre a exploração de petróleo, a importância ecológica e exaltação da beleza natural. Esses foram os temas centrais de um evento realizado nesta segunda-feira (28), na Universidade Estadual do Amapá (Ueap), para celebrar os dois anos da divulgação das primeiras imagens dos Corais da Amazônia, que, além do Amapá, também abrangem os estados do Pará e o Maranhão.

Os recifes de corais, únicos no mundo, foram registrados em uma expedição inédita da ONG Greenpeace nessa região do Oceano Atlântico. Na época, a área ficava dentro de um dos blocos leiloados para uma empresa que aguardava a liberação para atuar nos estudos na região.

O evento desta segunda-feira em Macapá contou com uma exposição fotográfica, que ficou na parte externa do campus, apresentação de produções acadêmicas relacionadas ao tema e uma roda de conversa, envolvendo os estudantes e simpatizantes da causa.

“Esse é um momento importante, temos que discutir e esclarecer sobre os problemas ambientais que a exploração dessa área pode causar. É muito mais que uma questão de mercado, mas, sim, que pode mudar vidas”, disse Thiago Almeida, porta-voz do Greenpeace.

Recentemente o debate sobre exploração de petróleo na região foi resgatado, motivado por estudos feitos por pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA), que contestam a existência dos corais. O Greenpeace, informou que tal afirmação é, no mínimo, “desleal”.

Almeida também comentou sobre a tragédia provocada pelo rompimento de uma barragem da mineradora Vale em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, na sexta-feira (25).

“Tragédias como essa, assim como em Mariana, só reforçam que a gente lute a favor da nossa natureza e evite essas tragédias, que não são só naturais, mas também provocadas pelos humanos”, finalizou.

Corais da Amazônia

Identificado em 2016, o ecossistema considerado único está localizado a 100 quilômetros da costa, podendo ser percebido a 220 metros de profundidade. A estrutura do recife é formada por esponjas, corais e rodolitos, além de um grande paredão de carbonato de cálcio. Novas espécies de peixes foram reveladas na região.

Como são de água barrenta, eles têm características próprias até então nunca vistas na ecologia marinha. Usando um robô equipado com câmeras, o Greenpeace identificou que a barreira se estende por um área de 56 mil quilômetros quadrados, seis vezes maior que os cientistas estimavam, partindo da costa da Guiana Francesa até o Maranhão.

Para a organização, que realizou uma expedição submarina na região no início de 2017, os recifes estão ameaçados pelo fato de estarem localizados dentro dos lotes a serem explorados pelas petrolíferas. A viagem da entidade foi a primeira a descer de submarino na área.

Fonte: G1