Início da Revolução da Cabanagem completa 184 anos com programação

No dia 6 de janeiro completou 184 anos do início da Revolução da Cabanagem no Pará, uma das maiores revoluções populares do país, que durou cinco anos (1835 a 1840) e foi a única revolução em que o povo, de fato, tomou o poder. Em alusão ao movimento, a Secretaria de Cultura do Estado realiza, de 7 a 12 de janeiro, a programação “Belém Cabana”, com atrações em diversos espaços culturais da capital e a iluminação do Memorial da Cabanagem, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer e construído na capital em 1985.

A Cabanagem começou como uma luta contra forças reacionárias na então província do Grão-Pará após a proclamação da independência do Brasil. “A Cabanagem está inserida no período regencial, onde houve revoltas como a Farroupilha no Rio Grande do Sul. Quando Dom Pedro I abdica e sai do cargo de imperador se cria uma grande discussão sobre quem efetivamente governaria o país, se as províncias deveriam obedecer ao regente no Rio de Janeiro, já que Dom Pedro II não tinha idade para assumir, ou as assembleias provinciais”, explica o historiador Michel Pinho.

Os deputados provinciais do Pará entendiam que o estado só deveria responder ao império após Dom Pedro II assumir o cargo, ao fim do período regencial. A intenção deles não era separar o Pará do Brasil, mas garantir uma soberania maior. Neste contexto ascenderam figuras como o cônego Batista Campos, que editou o primeiro jornal do estado, o fazendeiro Félix Malcher, os irmãos Francisco Pedro, Antônio e Manoel Vinagre, e o cearense radicado no Pará Eduardo Angelim.

Ascensão sangrenta

Em janeiro de 1835 os revolucionários tomaram Belém, desafiando a política do Brasil império que, de acordo com os rebeldes, dava pouca importância para os habitantes da região. No contexto histórico da época, os cabanos tinham como objetivo combater a pobreza extrema, a fome e as doenças que assolavam o estado, derrubando o presidente da província, Lobo de Souza, e instituindo um novo governo.

Liderados por Antônio Vinagre, os cabanos iniciaram um ataque no dia 6 de janeiro de 1835, invadindo o quartel e o palácio do governo que culminou na tomada de Belém. “Assistiu-se ao assassinato do Presidente da Província Lobo de Souza na frente do próprio palácio dos governadores. Belém é uma testemunha viva dos tempos cabanos”, disse o historiador Michel Pinho.

A Cabanagem também sofreu com disputas internas, que resultaram em lutas entre os partidários cabanos durante o ano de 1835. “Quando Malcher chega ao posto de presidente, ele solicita que os cabanos abandonem as armas, porque o movimento tinha acabado – para ele, é claro. Mas para os cabanos, não. O movimento vira uma guerra civil”, afirma Pinho.

Em maio de 1836 o militar Francisco José de Souza Soares de Andrea, o barão de Caçapava, toma Belém e passa a atuar como presidente da província até 1839, mas as lutas cabanas continuam pelos anos seguintes, até 1840.

Segundo Pinho, os estudos sobre o tema modificaram a percepção dos paraenses sobre o passado do movimento. “A memória da Cabanagem sofreu significativas mudanças nestes dois séculos, já foi vista como revoltas de malvados e sanguinários e transformou-se em símbolo de resistência popular”, conta ainda o historiador.

Foto: O Liberal
Fonte: G1