Movimento promove caminhada pela vida e paz nesta quinta-feira

O Movimento Pela Vida (Movida) convida a sociedade a participar da 12ª caminhada alusiva ao Dia Estadual de Luta pela Vida e Paz (lei estadual 7.627/2012). A concentração será às 14h desta quinta-feira (10), na travessa do Chaco com a avenida Almirante Barroso. A saída será às 16h30. Anualmente, o ato relembra pessoas vítimas da violência (da polícia, de bandidos ou do trânsito), cobrando justiça e agilidade nas investigações.

O trajeto, que termina no cruzamento da avenida João Paulo II com a travessa Mauriti, relembra pontos pelos quais o promotor de eventos Gustavo Maia Russo passou antes de morrer. Filho de Iranilde Russo, fundadora do Movida, foi sequestrado e acabou sendo assassinado por oito policiais militares. Eles perseguiam os sequestradores, na tarde do dia 10 de janeiro de 2005. O rapaz morreu aos 27 anos.

Sete anos depois, o dia da morte de Gustavo se tornou, por lei estadual, o Dia Estadual de Luta pela Vida e pela Paz. O movimento se tornou um instituto formal. No último domingo de cada mês, o grupo se reúne, na praça da República, para sensibilizar as pessoas sobre a violência. E sobre a necessidade de pressionar o poder público por um sistema de segurança pública melhor, um judiciário mais célere e leis mais rígidas.

Entre as reflexões trazidas pela caminhada, que tem sempre como tema “Eles continuam em nossos corações”, estão a lentidão das investigações policiais e andamento de processos na Justiça. Para o Movida, o tempo levado para que responsáveis por um crime sejam julgados e condenados é excessivo. É uma segunda penalização, além da perda de um amigo ou familiar.

A orientação do grupo é de que as famílias e amigos não podem desistir de cobrar justiça e de pressionar o poder público na aplicação de medidas que reduzam a violência e a sensação de impunidade. Essa sensação existe tanto para as vítimas como para quem comete crimes, defende o movimento.

Placas, cartazes, banners, faixas e depoimentos sempre marcam a caminhada. Vários casos emblemáticos são relembrados. Sobretudo casos sem solução. Os manifestantes sempre vestem branco. A organização da caminhada pede que essa identidade seja mantida por representar a paz.

ALGUNS CASOS LEMBRADOS NO ATO

Cabo PM Meirelles Lobo Alves: morto em serviço, no dia 23 de dezembro de 2013 ao atender a uma ocorrência de assalto no Sideral. Outros policiais militares são suspeitos de terem o matado a tiros.

Nirvana Evangelista Cruz: morta pela namorado com três tiros, no dia 5 de julho de 2007. Havia ocorrências registradas contra ele. O acusado foi preso oito dias depois e condenado a 22 anos, mas ficará, no máximo, por oito anos e seis meses no regime fechado, o que preocupa a família até hoje.

Emerson Williams Cruz Freitas: pessoa com deficiência que foi assassinada por um policial militar no dia 15 de julho de 2009 quando caminhava na Pedro Miranda e foi abordada para uma revista. Ele tentou tirar um rádio do bolso e o policial atirou contra ele no peito. Acusados em liberdade.

Wellington Gutemberg Pinheiro de Oliveira: assassinado por um delegado, com dois tiros, no dia 16 de maio de 2012, em Marabá. Acusado em liberdade e processo em aberto.

Maria de Lourdes Veiga (76), Joana Batista de Souza (54), Rayanne Cristina de Souza (5) e Luís Otávio Braga Miranda (26): atropelados e mortos no dia 11 de junho de 1994, na rua Djalma Dutra por um veículo que fazia um racha. A primeira audiência do caso só ocorreu 20 anos depois.

Benedito Pereira Rabêlo: era comandante de uma balsa. No dia 9 de janeiro de 2009, um bando de piratas invadiu a embarcação e o assassinou. Nesta segunda-feira, completaram dez anos que os bandidos estão foragidos.

Fonte: O Liberal