Com fronteira fechada, escolas de Pacaraima voltam às aulas com salas quase vazias

A rede municipal de ensino da cidade de Pacaraima (RR) começou o ano letivo no último dia 7, mas com a fronteira da Venezuela fechada desde o dia 21 de fevereiro poucos estudantes que vivem na vizinha Santa Elena de Uiarén, a 20 km dali, tem conseguido ir às aulas.

Ao passo que nesta segunda-feira (11) completam 18 dias que o lado venezuelano da BR-174 foi fechado por ordem de Nicolás Maduro, as salas de aula das três escolas municipais da cidade tem ficado vazias.

Segundo Abraão Oliveira da Silva, secretário de Educação de Pacaraima, dos 2.135 estudantes de Pacaraima, cerca de 1 mil são venezuelanos e aproximadamente 500 moram em Santa Elena.

Apesar do bloqueio de guardas na rodovia que liga o Brasil à Venezuela é possível cruzar entre as duas cidades por rotas clandestinas que se tornam cada vez mais movimentadas, mas ainda assim poucos estudantes venezuelanos têm ido às aulas.

“Estão vindo bem poucos por causa dessa situação na fronteira. Alguns pais venezuelanos inclusive estavam pensando em alugar uma casa em Pacaraima, trazer as crianças para cá e fazer um rodízio de quem cuidaria delas para que consigam ir às aulas”, relatou.

Além do fechamento da fronteira, outro agravante afeta os estudantes venezuelanos. Neste ano o município também não vai ofertar transporte escolar para buscar estudantes que vivem em Santa Elena, o que ocorria até o ano passado.

A mudança conforme o secretário, foi estabelecida por que “não há respaldo legal algum para que os ônibus brasileiros atravessem até o outro lado” — e agora com a fronteira fechada o trajeto só poderia ser feito por rotas ilegais. As três unidades de ensino municipais da cidade ofertam creche, pré escolar I, II, ensino fundamental I, ensino fundamental II e 6º ano.

“Os alunos não estão vindo porque não tem transporte e a fronteira está fechada. Eu tenho 30 alunos, 15 deles são venezuelanos. Alguns deles são de Pacaraima, mas outros são de Santa Elena”, disse a professora Rosi Rodrigues que dá aulas na escola municipal Alcides da Conceição Lima.

A escola, de acordo com o diretor, Amauri Almeida, tem cerca de 250 estudantes venezuelanos, mas nenhum deles foi às aulas desde o início do ano letivo.

“A gente está organizando um plano para lidar com essa situação, porque os alunos não podem ficar prejudicados” , afirmou. “Desde sempre a gente teve alunos venezuelanos, mas quando houve a intensificação do fluxo migratório, o número dobrou”.

Segundo a professora Cliciane Bentes, que trabalha na escola desde 2008, o ‘sumiço’ dos estudantes venezuelanos é inédito. “Já ocorreram outros fechamentos, mas nunca vi tantas cadeiras vazias como agora”, descreveu.

A ausência dos venezuelanos tem sido percebida até pelos colegas brasileiros. “Sinto falta da Laura, minha amiga que mora em Santa Elena. Quero que a fronteira abra pra ela vir logo e consiga uma casa aqui pra ficar mais perto de mim”, disse Gabriela de Sousa Rodrigues, de 7 anos.

Fonte: G1