Sem merenda, alunos são liberados mais cedo no primeiro dia de aula em Roraima

As 58 escolas da rede estadual em Boa Vista tiveram seu primeiro dia do ano letivo 2019 nesta quinta-feira (7) em meio à falta de merenda escolar e de terceirizados para cuidar da limpeza. Em unidades visitadas pelo G1, alunos foram liberados mais cedo por falta de alimentação e em outras até professores limparam as salas.

Antes previsto para o dia 4 de fevereiro, o início das aulas foi adiado para esta quinta pelo governo do estado no começo do ano em razão da crise fiscal e dos escândalos de desvios na merenda e transporte escolar, alvos de duas operações da Polícia Federal em 2018.

Sem merenda, a escola estadual Professora Maria Neves Rezende, no bairro Asa Branca, zona Oeste de Boa Vista, liberou os estudantes às 9h30.

“Os alunos tiveram que ser liberados. Não poderíamos deixá-los sem alimentação”, disse uma funcionária da escola Maria Neves sob condição de anonimato.

Além da falta de merenda, outro problema nas escolas é a ausência de terceirizados que cuidam da limpeza das unidades. O efetivo está defasado devido greve que reivindica salários atrasados desde a gestão da governadora Suely Campos (PP), em 2018.

O governo foi procurado sobre o assunto, mas ainda não se manifestou. Na quarta, o estado informou 38.295 alunos eram esperados na volta às aulas na capital. A data de início das aulas no interior só deve ser divulgada no próximo dia 12.

“Algumas escolas já estão com o quadro de terceirizados completo, outras, como é o caso desta, estão sem. Então a secretaria estará revezando esses funcionários entre os colégios nesse primeiro momento, até resolver essa questão das empresas”, disse uma servidora da escola Maria Neves.

No colégio Maria das Dores, no bairro 13 de Setembro, zona Sul da cidade, há somente quatro terceirizados cuidando da limpeza e segurança do colégio e também falta merenda.

“Já estamos recebendo parte da merenda e a expectativa é que, se as entregas terminarem logo, amanhã as aulas já estarão sendo dadas por completo”, informou a diretoria do Maria das Dores que liberou os alunos às 9h30.

Em algumas escolas, improviso. No colégio estadual Lobo D’Almada, no Centro, os próprios funcionários arrecadaram mantimentos para dar aos estudantes.

Segundo a diretora do colégio, Elane Trajano, a limpeza vem sendo feita pelos funcionários do colégio, e foi necessário arcar com custos para manter o colégio em funcionamento.

“Na jardinagem, por exemplo, estamos pagando um casal para fazer. São coisas que fazemos pois não importa a situação, temos que garantir o bem-estar dos alunos. Quanto a merenda, os alunos estão recebendo cuscuz e leite, arcados por nós mesmo, para garantir que pelo menos eles possam ficar aqui toda a manhã. Sabemos que a atual crise financeira será algo que ainda vai se prolongar, mas enxergo ela como uma forma de amadurecer as gestões dos colégios, pois a prioridade sempre precisa ser o aluno”, afirmou.

Em outra escola estadual na região central da Capital, Ayrton Senna, biscoitos e leite foram doados para a diretoria uma semana antes das aulas.

Segundo a diretora do colégio, Ivone Sobrinho, a intenção era a doação fosse para os professores, mas com a falta de merenda, foi decidido ceder os alimentos para os alunos.

“De limpeza, nos viramos com poucos funcionários, pintamos os muros para tirar pichações, e aguardamos que venha um efetivo maior semana que vem para dar uma geral na higiene do colégio. Material de limpeza temos de forma parcial, mas deu para quebrar o galho”, explicou Ivone.

Fonte: G1