Em visita a Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, o ministro da Segurança Pública Raul Jungmann disse nesta quinta-feira (23) que a União não pode forçar os estados a aceitarem venezuelanos no processo de interiorização.

A visita acontece cinco dias depois de 1,2 mil venezuelanos terem sido expulsos da cidade sob ataques de moradores. Eles viviam em acampamentos improvisados, e muitos alegavam não ter dinheiro para seguir viagem.

“O governo federal não tem como impor que um determinado estado assuma um determinado grupo de imigrantes. Isso é uma negociação. Muitas vezes falta trabalho ou falta, inclusive, onde colocá-los, onde alugar, onde ter uma possibilidade de acolhida. Não é simplesmente despejar as pessoas em São Paulo, no Rio, Recife, Belo Horizonte”, afirmou Jungmann.

Em ofício enviado ao presidente Michel Temer (MDB) nessa quarta (22), a governadora Suely Campos (PP) cobrou agilidade na interiorização. Ela alega que o grande número de imigrantes no estado impacta os serviços públicos.

“A interiorização precisa, sim, ser melhorada”, admitiu Jungmann, atribuindo a lentidão à dificuldade que os estados enfrentam com a crise econômica do país.

“A economia brasileira está se recuperando, mas você ainda tem dificuldade em nível de emprego, então, não é uma questão fácil”.

Desde abril, quando começou a interiorização, só 820 venezuelanos foram levados pelo governo federal a outros estados. A previsão é que mais mil imigrantes sejam levados em setembro.

No início de agosto, uma liminar deixou a fronteira fechada para venezuelanos por 17 horas. Na decisão, um juiz de primeira instância determinou a suspensão do ingresso de venezualanos em Roraima até que se atingisse um equilíbrio numérico entre quem entra e sai do estado no processo de interiorização. A liminar, porém, já foi derrubada pelo TRF1.

Na cidade, o ministro visitou o Centro de Triagem, que atende venezuelanos que entram no Brasil, e o único abrigo público de Pacaraima, onde são recebidos, principalmente, índios Warao. Jungmann ficou na cidade por cerca de 2h.

Força Nacional e hospital de campanha

Acerca da atuação da Força Nacional na cidade, ele disse que a governadora já solicitou a atuação dos agentes nas ruas da cidade e que o patrulhamento será feito.

Antes, a governadora havia pedido somente o reforço na fronteira, e agentes da Força Nacional atuariam apenas na faixa de fronteira.

“Agora os agentes estão esperando que chegue a regulamentação, ou seja, a portaria que vai levá-los a fazer esse patrulhamento nas ruas”.

Jungman também afirmou que há um hospital de campanha na fronteira, mas, segundo a própria Operação Acolhida, a unidade é apenas um posto avançado de atendimento em saúde.

“A unidade recebe apenas casos de baixa e média complexidade e atende profissionais ligados à Operação Acolhida e imigrantes”, disse o major Heldon Silva, chefe de Saúde da Operação Acolhida.

Fonte: G1