Frustração e revolta. Esses são os sentimentos da aposentada Francisca Maria Jansen, de 65 anos, depois que ela perdeu um transplante de rim, no último sábado (21), devido à falta de custodiol no Hospital das Clínicas (HC), em Rio Branco.

O produto é uma solução que garante a preservação e o bom funcionamento do órgão após o transplante. Francisca, que tem insuficiência renal crônica, ia passar pelo procedimento após um doador compatível ter sido encontrado.

Sem a conservação, apenas as córneas da pessoa morta puderam ser aproveitadas. Ao G1, a diretora do HC, Juliana Quintera, reconheceu a situação. Mas, segundo ela, o fato ocorreu não por falta do produto, mas sim, pela ausência de excedente da medicação.

“A gente sempre trabalha com a margem de segurança e, naquele momento, só tínhamos a quantidade exata do produto”, explica a gerente.

A aposentada conta que chegou a ser internada para fazer a cirurgia. “Estava em casa quando a médica me ligou falando que tinha o rim. Ela disse que eu precisava estar lá para me internar, porque no domingo [22] já ia fazer a operação. No mesmo dia fui para o HC, tomei medicamentos e fiz todo o procedimento. Depois, a médica foi onde eu estava, pensei que já ia para sala de cirurgia. Muito triste, ela me disse não seria possível fazer o transplante”, relembra Francisca.

A idosa, que há um ano convive com a doença, disse que a expectativa se tornou frustração e revolta. Para ela, a culpa da situação é do Estado e da Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre), que não dá atenção devida à área.

Ela afirma que vai conversar com um advogado para analisar a possibilidade de ingressar com um processo judicial contra o poder público.

Juliana disse que o transplante não foi realizado com a quantidade exata da solução porque oferecia risco. Ela afirmou que o estoque da sobra faltou porque o caso aconteceu em um fim de semana e o produto vem de fora do estado.

A diretora do HC garantiu que a reserva extra já foi reposta. “Assim que tiver outro órgão à disposição, a paciente vai ser ranqueada para a frente da fila de espera”, garante.

Já para a idosa, o fato não se resolve tão fácil assim. Frustrada, ela disse que não se conforma com o que aconteceu e revela que queria estar comemorando com o novo rim.

“Não estão nem aí para a saúde. O pessoal do transplante fez esse pedido [da solução] meses antes da minha operação, mas não ligaram. Para que eles [Sesacre] pedem doações de órgão se não fazem nem o papel de ter material para conservar? A Sesacre tem que ter mais responsabilidade, comprar os medicamentos que faltam e ter cuidado com a saúde”, finaliza Francisca.

Fonte: G1