O governador Antônio Denarium (PSL) assinou o decreto de calamidade na Saúde em razão do número de feridos venezuelanos que têm chegado aos hospitais do estado, informou na tarde deste domingo (24) a Secretaria de Comunicação.

“Não há mais espaço para anteder essas vítimas”, afirmou Denarium mais cedo ao anunciar que faria o decreto. A medida deve ser publicada no Diário Oficial do Estado desta segunda (24).

Com o decreto, governo terá mais facilidade para realização de compras emergenciais de medicamentos e de materiais médico-hospitalares, a fim de atender à população local e aos imigrantes.

“Já estávamos com situação crítica no setor da saúde em Roraima. A partir dos conflitos na Venezuela, esse problema se agravou. Entraram aqui para atendimento no HGR [Hospital Geral de Roraima], nos últimos dois dias, dezenas de venezuelanos feridos por armas de fogo e quase todos precisaram de cirurgia”, afirmou o governador.

O HGR é o único no estado que tem estrutura para fazer cirurgias complexas, como operações para retirada de projéteis. Em Pacaraima, no Hospital Délio Tupinambá, único na região, pacientes baleados têm entrado em estado grave e o “cenário é de guerra”.

De acordo com o vice-governador, Frutuoso Lins, que também é médico, nas últimas 36 horas, 18 pacientes venezuelanos em estado grave foram atendidos no HGR. O HGR já registrava falta de materiais básicos há meses, e está com as cirurgias eletivas suspensas por determinação do Conselho Regional de Medicina (CRM).

Destes, segundo ele, 13 precisaram passar por procedimento cirúrgico, sobrecarregando as UTIs, o setor do Trauma e também a ocupação de leitos.

“Estamos analisando a possibilidade de contratação de leitos hospitalares privados, para deixar como retaguarda, caso haja necessidade, devido ao aumento do uso do sistema de saúde”, afirmou.

Ainda conforme Lins, além dos leitos, irá surgir a necessidade de reforçar medicamentos e insumos básicos nos próximos dias.

“O foco é o reforço nos materiais básicos e medicamentos, pois mesmo que haja materiais chegando, eles podem acabar em poucos dias dependendo dos conflitos em Santa Elena”, explicou.

Ao todo, segundo Denarium, são 12 ambulâncias trabalhando para o atendimentos de feridos, com cinco apenas para realizar o translado de pacientes para Boa Vista, além de reforço na equipe de atendimentos do Hospital de Pacaraima e um formação de uma equipe de prontidão voltada para atender os feridos em confrontos.

“Estamos dialogando com o Governo Federal para ver se, dependendo dos conflitos que poderão haver daqui para frente, medicamentos que possam suprir a demanda atual sejam mandados de Brasília para Roraima, durante o período de contratação emergencial de mais insumos”, concluiu o governador.

Fonte: G1