No Amapá, os municípios localizados no sul do estado são os mais atingidos proporcionalmente por raios, segundo levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os estudos mostram também que a Amazônia é a área do Brasil com maior incidência de descargas.

Uma das explicações para o fenômeno se concentrar nessa região, seria a proximidade com o rio Amazonas, segundo o meteorologista Jefferson Vilhena, do Instituto de Pesquisas Científicas do Amapá (Iepa).

O fator rio, que traz umidade, além da concentração de mata provoca a formação de grandes nuvens, necessárias para o surgimento dos raios.

“São os municípios mais próximos da foz, e o rio emite muita umidade relativa, e nessa umidade muitos aglomerados convectivos são formados. Esse aglomerados são pancadas de chuvas que acontecem o ano todo. Para se ter raios, são necessárias chuvas longas e não é comum a gente ver ao longo do Amazonas esse sistema”, detalhou Vilhena.

A cidade amapaense com maior registro de raios é Vitória do Jari, município localizado no extremo sul do estado. Dados do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), vinculado ao Inpe, mostram que a cidade tem média de queda de 23,24 raios a cada quilômetro quadrado por ano. Comparando com a área do município, são mais de 55 mil descargas elétricas anualmente.

Outras cidades do Sul do Amapá figuram entre as que registram mais raios: Santana (10,53 raios por km²/ano), Mazagão (9,77 raios por km²/ano), Porto Grande (6,84 raios por km²/ano), Macapá (6,84 raios por km²/ano) e Itaubal (5,64 raios por km²/ano).

Para completar a explicação dada pelo Iepa sobre a proximidade com o rio Amazonas, as cidades do Amapá com os menores índices de raios são as que ficam ao Norte do estado e mais longe do rio.

Apesar delas terem dados reduzidos dos fenômenos, uma área entre os municípios de Calçoene e Oiapoque é a que registra o maior volume de chuvas no país, explica o Iepa. A região próxima ao rio Cassiporé recebe mais de 3 mil milímetros de pancadas por ano.

Perigos

O Inpe divulgou ainda que no país inteiro são mais de 50 milhões de raios, que causaram quase 1,8 mil mortes entre os anos de 2000 e 2014, com maiores registros no Pará (121) e Amazonas (84). Não foram fornecidos números de acidentes ou mortes no Amapá.

Cuidados

O raio, quando encontra o solo, espalha corrente elétrica por quilômetros, segundo o Inpe. Ainda não é possivel prever onde o raio vai cair, e estar próximo de árvores ou cercas durante uma tempestade é perigoso, em função da descarga poder ser atraída.

O ideal é ter nas casas o fio terra. As hastes de cobre ficam ligadas ao sistema elétrico da residência. Se um raio atingir a rede de transmissão, a descarga vai ser desviada para fora da casa, sem perigo para os moradores. Os especialistas do Instituto ainda recomendam não andar na chuva e nem empurrar motos e carros durante os temporais.

Fonte: G1