Já pensou em usar um videogame para reabilitar pacientes com sequelas neurológicas? Pois, uma fisioterapeuta teve essa ideia ao ver os filhos brincarem em casa com o aparelho e, desde então, pacientes adultos fazem a reabilitação através desse meio alternativo em Rio Branco.

“A rotina dessa turma é tentar se superar a cada dia. Elza de Souza tem siringomielia – uma doença degenerativa da medula espinhal, que provoca redução progressiva dos movimentos.

“Eu não levanto os braços. A deficiência não é só em uma mão, mas pega as duas. Os dois membros”, conta.

Agora, ela e os outros pacientes com problemas neurológicos no Acre passaram a ser tratados com a “gameterapia”. O aparelho com vários jogos nem é de última geração, mas é novinho. Foi comprado pela Patrícia Satrapa, que é fisioterapeuta.

O monitor de TV foi uma doação. A ideia de usar o videogame como alternativa para reabilitação de pacientes surgiu quando a Patrícia assistia os filhos jogarem em casa. Ela percebeu que alguns movimentos poderiam ser trabalhados também com os pacientes.

“O atendimento neurológico é muito longo, porque as sequelas se recuperam num tempo mais prolongado. Isso faz com que o tratamento muitas vezes se torne um pouco enfadonho. Então, a gente tenta trabalhar de uma forma mais lúdica, mais leve. Através dessa ideia, de fazer do tratamento um momento um pouco mais leve, um pouco menos sério, é que nós buscamos trazer mais alegria pra esse tratamento”, explica Patrícia.

A gameterapia começou a ser desenvolvida no Canadá há alguns anos e no Brasil já é desenvolvida também em vários estados.

“Sempre que a gente faz um trabalho de reabilitação física, pensamos na reabilitação motora realmente da força – da amplitude do movimento e do equilíbrio. Quando essa reabilitação é associada ao cognitivo, temos com certeza uma melhora muito mais rápida”, enfatiza.

A fisioterapeuta explica que essa atividade consegue estimular mais rapidamente a parte cerebral. “Com o videogame, conseguimos associar a força, coordenação e equilíbrio, mas também a atenção e concentração que são itens que, às vezes, no tratamento convencional não se consegue trabalhar”, pontua.

No videogame, eles podem jogar boliche, tênis e até golfe. Essa nova experiência trouxe mais motivação para os pacientes e cada ponto conquistado é um avanço no tratamento.

Aposentado, Algenir Aguiar está há 10 na reabilitação de um AVC e virou craque do boliche. “A gente está evoluindo. Melhorou meu equilíbrio e pode balançar o braço. Melhorou muito. Do boliche eu gosto mais. O strike é o nosso gol”, conta animado.

É o mesmo caso de Elza, mesmo sem nunca antes ter jogado videogame, ela também é fera no boliche. “Dez vez e quando eu faço um ‘strikezinho’ e me sinto vitoriosa”, finaliza.

Fonte: G1