Os comerciantes e lojistas do Amapá estão apostando no pagamento da segunda parcela do 13º salário dos trabalhadores para sair do negativo. De acordo com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), os empresários anseiam por sinais de recuperação em dezembro, mesmo com as vitrines ainda contidas para a época festiva e de pouco recurso circulando no mercado.

O pagamento do benefício é o período mais aguardado pelo comércio, e a expectativa é ainda maior, visto que em 2016 o setor foi afetado pela crise. Em dezembro do ano passado, o varejo do estado teve uma queda de 10,9% em relação ao mesmo mês em 2015. Com isso, o resultado para o volume de vendas foi negativo no fechamento do ano, ficando em -18,1%.

No comércio varejista ampliado, que agrega as atividades de veículos, motos, peças e material de construção, o volume de vendas de 2015 apresentou resultados negativos em relação a dezembro de 2016, com -11%. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O superintendente da CDL, Juarez Oliveira, diz que, apesar da incerteza, o empresário se mantém entusiasmado.

“Essa é a sazonalidade mais importante para o comércio. É quando os lojistas traçam estratégias para aproveitar o volume de interesse que o consumidor tem em realizar suas compras de fim de ano. O empresário está entusiasmado, mesmo no momento de recessão e de pouco recurso circulando no mercado. As vendas têm que melhorar”, reforçou.

O governo do estado e a prefeitura de Macapá não informaram quanto deverá ser injetado na economia local com o pagamento da segunda parcela do 13º salário e nem quando o funcionalismo irá receber. Entretanto, os 50% que foram depositados entre junho e julho somou mais de R$ 85 milhões.

Embora o valor seja considerável e as festas de fim de ano costumem abocanhar parte do benefício dos consumidores, o comércio terá de enfrentar outra dura pesquisa.

É que de acordo com a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), 85% dos consumidores brasileiros devem usar o décimo para pagar dívidas em 2017. Esse percentual representa um aumento de 4,94% em relação ao ano de 2016.

“Este cenário deve se manter também no Amapá. No entanto, temos por experiência o conhecimento de que as pessoas costumam pagar suas contas para zerar as dívidas e logo depois já abrem novo crediário. O estado tem uma média de 52% da população economicamente ativa endividada e a maior parte delas com o comprometimento a partir de 30% do salário”, pontuou Oliveira.

Comportamento

O perfil do consumidor amapaense varia. Tem quem se conteve ao longo do ano e está esperando cair o décimo para desfrutar de viagens, e sem acumular dívidas.

“Minhas contas estão em dia, então, eu me planejei para fazer uma viagem com meus filhos, afinal, a gente trabalha tanto e merece. A minha lista de Natal está bem restrita este ano”, falou a contadora Edna Caldas.

A professora aposentada Vânia Fonseca, de 71 anos, também vai fechar o ano sem dor de cabeça.

“Vou jogar o dinheiro na poupança. Meu salário dá para mim, só tenho uma cachorra, então vou deixar guardado para planos futuros”, comentou a aposentada.

Já a funcionária pública Laura Silva representa a situação da maior parcela da população, a que vai “espremer” o benefício e ver o que vai dar para fazer.

“Essa segunda parcela está toda comprometida. São muitas contas a pagar. Eu estou construindo, mesmo assim vou fazer mágica para comprar algumas lembrancinhas, mas vai ser tudo na ponta do lápis. Até as festas serão mais simples”, contou.

Comércio

Com prateleiras abastecidas, as lojas do Centro de Macapá torcem para que haja uma recuperação na circulação do dinheiro. Mas o movimento ainda preocupa.

“O comércio está precisando de melhoria e necessita reagir. A Avenida Padre Júlio que era uma das vias mais movimentadas agora está quase sem movimento, assim como a Rua Cândido Mendes. Tem quarteirão inteiro com lojas fechadas devido a crise. Mesmo assim, os lojistas estão investindo e aguardando que as coisas ganhem um impulso”, relatou a gerente de uma loja de confecções, Mikaele Azevedo.

O consumidor que aguarda pelas promoções para começar a comprar é bom ficar atento porque as campanhas iniciaram. Já é possível encontrar produtos com mais de 50% de desconto e os lojistas dizem que esse percentual tende a aumentar.

Fonte: G1