O índice de abastecimento regular de água tratada por redes de distribuição ainda é preocupante no Amapá. Apenas 58,9% dos domicílios são atendidos pela cobertura canalizada, enquanto em todo o país o indicador chega a 97,2%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dados de 2016 são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad). O fornecimento de água atinge 122 mil das 207 mil residências do estado. Os demais domicílios ainda são abastecidos por poços (35,5%), água retirada de rios e lagos, entre outras modalidades.

O Amapá está à frente de outros estados da região, como Acre (54%), Pará (51,4%) e Rondônia (43,4%). Para o IBGE, o uso de poços no estado está relacionado com a questão econômica e também com a demora das instituições públicas em ofertarem um serviço ampliado.

“As pessoas cansam de esperar pelo poder público, e o poço é relativamente barato de cavar. Até as famílias com maior condição financeira optam pelos poços. Para os indicadores sociais, esse abastecimento não é o ideal porque não há um controle sobre essa água que está chegando nas casas”, explicou Joel Lima, do setor de Disseminação de Informações do IBGE.

Os números também são preocupantes em relação ao tratamento de esgoto, de onde 70,8% dos domicílios usam fossas não ligadas à rede, ou seja, o material é armazenado sem qualquer destinação. Apenas 9,5% das casas no estado têm coleta de esgoto ou fossa ligada à rede.

Para compensar o déficit de cobertura nas residências, a Companhia de Água e Esgoto do Amapá (Caesa) disse que apresentou diversos projetos visando a ampliação, construção e reforma de unidades de tratamento.

Na capital Macapá, por exemplo, obras nas estações de tratamentopretendem expandir em 2018 a cobertura de água encanada em 27 bairros das zonas Sul, Oeste e Norte.

No interior, a estatal prevê uma série de visitas nos sistemas dos municípios para elaboração de diagnóstico visando a ampliação. O objetivo posterior é formar cooperações técnicas para viabilizar recursos do Governo Federal, através do Ministério das Cidades.

A PNAD mostrou ainda outras características dos domicílios amapaenses, como o consumo de serviços. A coleta de lixo, segundo dados do IBGE, atinge 76,5% da população, sendo que 8,5% das residências ainda têm a queima como única forma de eliminar os resíduos domésticos.

Sobre a condição das residências, o IBGE aponta que 79,7% das casas foram quitadas pelos moradores, 13,9% dependem de aluguel, e 6% estão em moradias cedidas. Em relação à estrutura, 56,1% são construídas de alvenaria e 37,9%, feitas de madeira apropriada para as obras.

Fonte: G1