Depois de mais de três décadas de cárcere, um tribunal de Baltimore reconheceu a inocência dos amigos negros Alfred Chestnut, Ransom Watkins e Andrew Stewartwalk que, quando foram presos em 1983 por um assassinato que não cometeram, tinham 16 anos. Eles agora estão com 52 anos.

Aos três foi atribuído o assassinato de um estudante de 14 anos na Harlem Park Junior High School. O garoto havia sido baleado no pescoço com uma pistola calibre 22, durante tentativa de roubo de uma jaqueta cara que estava usando, e o crime foi jogado nas costas dos três menores, arbitrariamente.

Chestnut, Watkins e Stewartwalk sempre insistiram que eram inocentes. Sua libertação tornou-se possível após Chestnut conseguir acesso a registros judiciais selados no ano passado, o que levou o Ministério Público a uma revisão do caso.

Aos três – e suas famílias -, a advogada da cidade de Baltimore, Marilyn Mosby, pediu desculpas em nome do sistema judicial responsável por tanta injustiça. “Você, você e você, nunca deveriam ter visto o interior de uma cela”. “Hoje não é uma vitória. Hoje é uma tragédia que esses homens tenham 36 anos de suas vidas roubados”, acrescentou.

Na revisão, os promotores descobriram que, durante a investigação original, várias testemunhas afirmaram ao tribunal que o assassinato foi realmente cometido por um estudante diferente, um homem que acabaria por morrer em 2002.

Além disso, quatro testemunhas juvenis, que identificaram Chestnut, Watkins e Stewart como os assassinos, falharam várias vezes em identificá-los em fotos antes do julgamento. Também foi constatado que seus depoimentos foram feitos sob pressão da polícia e sem a presença dos pais.

Os três agradeceram aos familiares e amigos por toda a inestimável ajuda para que a justiça fosse feita. “Venho sonhando por este momento desde que eu era um garoto”, disse Chestnut. “Sentei-me no meu beliche quando recebi a notícia e chorei”, disse Stewart. “Minha jornada está apenas começando, porque tenho que aprender a viver agora.” Nos EUA, são comuns erros judiciais aberrantes, em que as vítimas inocentes quase sempre são negros.