Um grupo de manifestantes protestou em frente à Prefeitura de Boa Vista na manhã desta segunda-feira (28) pedindo ‘igualdade’ entre brasileiros e venezuelanos. Segundo a Guarda Civil Municipal, 35 pessoas participaram da ação. Já conforme os organizadores, 110 pessoas estiveram presentes no movimento.

O protesto foi marcado após a prefeita Teresa Surita (PMDB) anunciar uma série de medidas para lidar com a imigração de venezuelanos para Roraima. Uma das medidas é que os estrangeiros que estão vivendo em ruas e praças de Boa Vista poderão receber até seis meses de aluguel social.

A manifestação começou às 9h desta manhã e acabou às 11h. A organizadora do protesto, a professora Regy Carvalho, disse que o grupo não é contra as ações que ajudam os venezuelanos.

“Queremos que a prefeitura faça políticas sociais de forma correta. Existem pessoas que estão vindo da Venezuela que são uma mão de obra muito boa, gente que pode contribuir com a nossa sociedade e eles estão deixados de lado”, disse.

Segundo ela, o grupo exige que todo o recurso que a prefeitura vai destinar para os imigrantes seja usado de forma transparente. Eles também querem igualdade entre as ações desenvolvidas para brasileiros e estrangeiros.

“Queremos que da mesma forma que os venezuelanos vão ser ajudados as pessoas que se encontram em situação caótica no nosso estado também sejam ajudadas. Queremos que a ajuda seja igualitária para todos”, afirmou.

Alguns dos manifestantes eram contra o aluguel solidário anunciado pelo município. “Somos contra esse vale de R$ 700 e de R$ 1,2 mil. Nós não aceitamos isso”, disse a professora Perpétua Dias, de 52 anos.

Moradores do bairro João de Barro também participaram dos protestos. Carla Cristina, membro da associação de moradores, disse que eles não eram contram as ações da prefeitura em favor dos venezuelanos. Entretanto, exigiam melhoras no bairro em que vivem.

O que a prefeitura diz

Em nota, a prefeitura informou que “respeita toda e qualquer manifestação das pessoas, desde que seja pacífica e baseada nos princípios democráticos”.

“O tema imigração venezuelana está sendo tratado em comum acordo com o Governo Federal e busca devolver as boas condições e qualidade de vida que os boavistenses tinham em nossa cidade […] A prefeitura ressalta que a crise é humanitária, mas precisa ser tratada como algo maior. São pessoas que estão em Boa Vista, não por desejo próprio, mas sim pela falta de liberdade na Venezuela”, frisa a nota.

Sobre o bairro João de Barro, a nota diz que a a situação dos moradores da localidade ainda é irregular, pois embora tenham adquirido terrenos de um particular, o empreendimento ainda não foi aprovado pelo município, porque o projeto não atende as exigências da Lei de Parcelamento de Solo, por responsabilidade exclusiva do dono original do terreno.

Venezuelanos em Roraima

O governo do estado estima que 30 mil venezuelanos entraram em Roraima desde 2016. A imigração cresce conforme a crise na Venezuela se alastra nos setores de emprego, alimentos e remédios.

Conforme dados divulgados pela Polícia Federal em Roraima, a maioria dos venezuelanos que migram para Roraima são de Caracas, capital do país. Mais de 58% são homens e jovens entre 22 e 25 anos. A maior parte deles são estudantes (17,93%), seguidos por engenheiros (6,21%), médicos (4,83%) e economistas (7,83%).

Nas filas para entrada no Brasil, em Pacaraima, cidade fronteiriça a Venezuela, os imigrantes relatam a fuga da fome e do desemprego. Muitos decidem deixar trabalho para buscar uma vida melhor no Brasil.

Nas ruas de Boa Vista muitos deles estão em busca de trabalho. Nos últimos sete meses o Ministério do Trabalho no estado (MTE-RR) registrou um recorde de emissão de carteiras de trabalho a venezuelanos. Nesse período foram quase 3 mil carteiras entregues a cidadãos venezuelanos. Em 2015, emitiram-se apenas 257 documentos, e 1.331 em 2016.

Fonte: G1