A Agência da ONU para Refugiados (Acnur) está montando em Roraima um Centro de Referência ao Refugiado e Migrante dentro da Universidade Federal de Roraima (UFRR), em Boa Vista.

O espaço funcionará em um prédio da instituição conhecido como ‘Malocão Cultural’. Nesta quarta-feira (27), o porta-voz da Acnur no Brasil, Luiz Fernando Godinho, informou que o prédio será reformado.

A medida da Acnur é uma resposta da Organização das Nações Unidas à grande migração de venezuelanos para o estado que começou em 2016 e aumentou neste ano com o agravamento da crise econômica e político no país que faz fronteira com o estado. Ainda não se sabe quando o centro começará a atender os venezuelanos.

Segundo dados da Polícia Federal em Roraima, mais de 6,4 mil pedidos de refúgio de venezuelanos foram registrados de janeiro a junho de 2017. O número representa um aumento de 188% em relação aos 2,2 mil pedidos realizados em todo o ano de 2016. Em 2015 foram feitas 230 solicitações.

O porta-voz da Acnur explicou que o prédio da universidade será reformado com recurso da agência. Uma vez pronto, ele será administrado pelas autoridades locais.

“Estamos na etapa de selecionar uma construtora para a reforma do espaço. Esse prazo termina na sexta-feira [29]”, disse Luiz Fernando.

O centro funcionará reunindo serviços que hoje são oferecidos em vários pontos diferentes da cidade, como registro, solicitação de documentação e encaminhamento para outros atendimentos como de saúde ou educacional, por exemplo.

Trabalharão no espaço servidores cedidos pela prefeitura, governo estadual, governo federal e representantes da Acnur no estado. A ONU frisou que o local não funcionará como abrigo.

“É uma maneira de concentrar em um só local uma série de serviços que são diversos na cidade. Isso facilita para todo mundo, tanto para os venezuelanos quando para as autoridades. É uma maneira de melhorar a rotina de serviços”, explicou Godinho.

O prédio onde funcionará o centro possui 598,91m² e irá contar com uma área de recepção, circulações, seis salas de atendimento, banheiros femininos, masculinos com acesso para pessoas com deficiências, copa e quatro salas para uso exclusivo da Universidade Federal de Roraima.

Venezuelanos em Roraima

O governo do estado estima que 30 mil venezuelanos entraram em Roraima desde 2016. A imigração cresce conforme a crise na Venezuela se alastra nos setores de emprego, alimentos e remédios.

Segundo dados da PF, mais de 6,4 mil pedidos de refúgio de venezuelanos foram registrados de janeiro a junho de 2017 em Roraima. O número representa um aumento de 188% em relação aos 2,2 mil pedidos realizados em todo o ano de 2016. Em 2015 foram feitas 230 solicitações.

A maioria dos venezuelanos que migram para Roraima são de Caracas, capital do país. Mais de 58% são homens e jovens entre 22 e 25 anos. A maior parte deles são estudantes (17,93%), seguidos por engenheiros (6,21%), médicos (4,83%) e economistas (7,83%).

Nas filas para entrada no Brasil, em Pacaraima, cidade fronteiriça a Venezuela, os imigrantes relatam a fuga da fome e do desemprego. Muitos decidem deixar trabalho para buscar uma vida melhor no Brasil.

Em Roraima, dezenas de famílias se abrigam pelas ruas e no entorno da Rodoviária Internacional de Boa Vista um acampamento foi formado. Com barracas de camping e tendas improvisadas os imigrantes vivem no local em condições precárias.

Nas ruas de Boa Vista muitos deles estão em busca de trabalho. Nos últimos sete meses o Ministério do Trabalho no estado (MTE-RR) registrou um recorde de emissão de carteiras de trabalho a venezuelanos. Nesse período foram quase 3 mil carteiras entregues a cidadãos venezuelanos. Em 2015, emitiram-se apenas 257 documentos, e 1.331 em 2016.

Fonte: G1