O número de pacientes com doença renal crônica no Amapá registra aumento de até 15% por ano, segundo a Unidade de Nefrologia do Hospital de Clínicas Doutor Alberto Lima (HCAL). De janeiro a maio, por exemplo, a unidade recebeu 76 novos casos para hemodiálise. No Brasil, o número de pacientes cresceu de 42 mil, em 2000, para 122 mil, em 2016, de acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia.

O prédio da nefrologia em Macapá tem capacidade para 200 pessoas, mas, atualmente, atende a 270, havendo mais 30 na fila de espera, segundo a Associação dos Pacientes Renais Crônicos do Amapá. A unidade que atende aos pacientes no HCAL, a única no estado, contém 37 máquinas para hemodiálise, e, com o aumento da demanda, os atendimentos acontecem em quatro turnos.

Para suprir a demanda, o governo do estado confirmou que vai inaugurar a Unidade de Nefrologia de Santana, a 17 quilômetros de Macapá, nesta sexta-feira (30), com um espaço especializado e exclusivo para o tratamento de pacientes renais crônicos, com 14 máquinas de hemodiálise, atendendo inicialmente a 24 pacientes.

“Somos a única clínica do estado, estamos fazendo o quarto turno de atendimentos para os pacientes, que chegam pelas unidades de emergências e são encaminhados na forma ambulatorial. Na Unidade de Nefrologia, são feitos os exames para dar início ao tratamento de hemodiálise”, falou a enfermeira da Nefrologia do HCAL, Leila Silva, em entrevista à Rede Amazônica.

Cerca de 70 pacientes renais crônicos que moram em Santana e são atendidos na clínica da capital, cobram a celeridade na inauguração da nova unidade no município santanense, onde devem passar a ser atendidos.

“Se tivesse outro centro de tratamento de hemodiálise, não existia esse problema da superlotação e o atendimento em quarto turno, que gera dificuldade para muitos pacientes, que saem da clínica de madrugada e não têm como ir para casa, porque dependem de ônibus”, disse o presidente da associação, Carlos Santos.

No estado há oito médicos especialistas para atender às demandas das redes públicas e privadas, segundo a Sesa. Além de médicos, também atenderão aos pacientes na nova unidade, enfermeiros, técnicos de enfermagem com especialização ou treinamento na área, psicólogo e assistente social.

A intenção é que, ao contratar mais nefrologistas até o fim de 2017, a clínica de Santana receba pacientes em três turnos e de segunda-feira a sábado, para também atender aos pacientes renais de Mazagão, município a 32 quilômetros de Macapá.

Obra

Iniciada em 2011, a obra em Santana foi paralisada em 2013, após identificação de irregularidades no projeto. Ela foi retomada em 2015 e também paralisou. Em setembro de 2016, as obras retornaram e adequações no prédio, a pedido da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), adiaram o andamento da construção em mais três meses.

Uma ação no Ministério Público Federal (MPF) cobra a entrega da nefrologia em Santana desde 2013. Um ano depois, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi assinado entre o MPF e o governo do Amapá, com um acordo de inauguração em até 120 dias da clínica e compra de 11 aparelhos de hemodiálise, sob pena de multa.

A Associação de Renais Crônicos informou que já recebeu da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinf) seis prazos de entrega da obra. Foram marcadas inaugurações para março de 2016, julho de 2016, dezembro de 2016, janeiro e março deste ano. Nesta semana, o governo confirmou a inauguração para esta sexta-feira (30).

Fonte: G1