A Polícia Civil apurou que quatro tipos de golpes realizados no Amapá estão usando a internet para cometer os crimes. Só na 6ª Delegacia de Polícia (DP) Civil de Macapá, 30 inquéritos estão sendo investigados relacionados a esses tipos de práticas, que já somam cerca de R$ 200 mil de prejuízo. É possível que o número de vítimas seja maior.

“Alertamos a população sobre os cuidados que devem ser tomados por quem anuncia e, principalmente, por quem deseja comprar qualquer objeto anunciado em sites como ‘OLX’, ‘Mercado Livre’ ou similares”, falou Joseane Carvalho, delegada titular da 6ª DP.

Até o momento nenhum investigado foi preso. As apurações da Polícia Civil dão indícios de que a quadrilha é formada por pessoas do Amapá, mas também de fora do estado, com ramificações no Ceará, Amazonas, Tocantins, Mato Grosso, São Paulo e Paraná.

Para evitar novas vítimas, a 6ª DP começou a fazer um alerta para a população explicando como funcionam as quatro modalidades de crimes e dá orientações para não se tornar vítima de nenhum dos golpes mapeados.

Caso 1

A polícia descreve que uma das modalidades move o estelionatário a buscar anúncios de venda de veículos ou outro objeto no site de compra e venda “OLX” ou “Mercado Livre”, e entra em contato com o vendedor do produto, solicitando o envio de mais fotos. Com as imagens, o golpista monta um novo anúncio, com um preço menor do que o valor original.

Já foi identificado que o golpista adquire um número de telefone com DDD 96 e o usa sem estar no estado. Após a vítima entrar em contato com o golpista, ele organiza um encontro entre o comprador e o vendedor. O combinado, segundo a polícia, é que ninguém fale sobre o valor do negócio ou a forma de pagamento.

Em um dos casos, o estelionatário pediu ao vendedor que assinasse o Documento Único de Transferência (DUT) do veículo e que autenticasse a assinatura em favor da loja de automóveis (comprador) e pediu para que o veículo fosse entregue na loja. Ao mesmo tempo que o comprador deposita o valor na conta de um “laranja”, de onde o dinheiro é sacado antes mesmo do golpe ser descoberto.

Caso 2

Essa é uma modalidade similar ao primeiro caso. O estelionatário usa, através de conversas online nos aplicativos, nomes de empresas de vendas de veículos no Amapá e simula uma proposta de financiamento para adquirir um veículo. O golpista emite documento falso com o logotipo de instituições financeiras e gera boletos das parcelas do suposto financiamento e os envia à vítima. E, em seguida, exige o pagamento de uma entrada para a efetivação da compra do veículo e o fechamento do “negócio” ocorre com o pagamento da entrada em conta bancária. Assim que o estelionatário recebe e saca o valor, bloqueia online o comprador e o golpista desaparece.

Caso 3

Nesse tipo de fraude, o estelionatário conclui uma negociação, afirma ao vendedor que fará uma transferência online ou um depósito bancário e que um terceiro (ou até mesmo o estelionatário) vai ao local indicado pelo comprador para buscar o objeto “negociado”.

O estelionatário entrega à vítima um comprovante de depósito bancário feito com envelope vazio (o documento não tem comprovação oficial do recebimento do valor) ou um comprovante falso de transferência online, na conta indicada pelo vendedor, que entrega o bem ao estelionatário.

Mas as transações não são efetivadas e os valores não são creditados na conta do vendedor, que fica com prejuízo.

Caso 4

A 6ª DP também alerta para casos em que os produtos vendidos são oriundos de furtos ou roubos. De acordo com a polícia, é comum encontrar em sites de venda online esse tipo de produtos, que são comercializados sem a nota fiscal original do produto e sem comprovar a origem lícita.

Nesse caso, sem os cuidados necessários, a vítima pode se tornar criminoso, acusado de crime de receptação, que é quando alguém compra produto de origem ilícita, punido pelo Código Penal Brasileiro, no artigo 180.

Cuidados

A polícia reforça que, caso alguém caia em algum tipo de golpe envolvendo compra e venda de bens em sites online, a vítima deve procurar a Delegacia da Polícia Civil mais próxima, para registrar um boletim de ocorrência para que seja iniciada investigação, identificação e responsabilização dos criminosos.

Diante dessas modalidades, a Polícia Civil também dá orientações que devem ser observadas em transações online:

  • desconfie de produtos muito baratos;
  • exija nota fiscal original do produto e negocie diretamente com o dono;
  • evite fazer negócio com algum intermediário (normalmente o estelionatário se diz irmão, primo, sócio, gerente do proprietário do objeto);
  • não antecipe pagamento de qualquer espécie com o fim de garantir o produto, principalmente em sites de vendas pela internet;
  • não negocie o produto exclusivamente por aplicativos de troca de mensagens de texto;
  • exija conta bancária para transferência do valor em nome da pessoa em que o veículo tiver registrado;
  • desconfie de qualquer TED ou outros comprovantes de depósitos, confirmando pessoalmente com seu gerente se o dinheiro realmente caiu na conta antes de entregar o bem, pois, muitas vezes, há falsificação destes ou os depósitos são feitos em envelopes vazios.

Fonte: G1