Muitos pacientes que procuram as unidades de saúde de Marechal Thaumaturgo, no interior do Acre, não conseguem atendimento. Com a saída dos cubanos do programa Mais Médicos, o município, que tem mais de 18 mil habitantes, perdeu 4 profissionais e atualmente apenas uma médica presta serviços na cidade.

Desde que os médicos de Cuba foram obrigados a deixar o país, na cidade do interior do Acre restou apenas a médica, Patrícia Barbino. Ela conta que é difícil atender a demanda, já que é responsável pela saúde básica e pelo atendimento no hospital da cidade.

“Passo as horas no programa, que são 32 horas semanais, mais 8 horas de estudo por dia. Estou fazendo os finais de semana e à noite aqui no hospital. Então, se uma emergência acontece eles me ligam e eu venho dar uma ajuda”, conta Patrícia.

A médica reclama da sobrecarga de trabalho e diz que essa rotina não pode se alongar por muito tempo.

“Não dá para aguentar muito tempo. Infelizmente a gente acaba deixando a desejar. Escuto de tudo um pouco, muitos dizem assim: ‘a senhora não quer atender”, mas não é que não quer atender. A gente é uma equipe e tenta dar uma triada e ver quem consegue esperar e têm aquelas pessoas que precisam mais e a gente não tem como deixar de atender”, disse a médica.

Em Marechal Thaumaturgo, a maioria da população vive da agricultura e mora na área rural ou em comunidades ribeirinhas e quando procura os postos de saúde municipais ou o hospital, muitas vezes não consegue uma consulta. Outros pacientes reclamam da demoram para receber atendidos.

“Demorou muito, mas ainda bem que consegui uma consulta para minha filha. Não está fácil, eu espero que melhore”, disse Maria Suaíne Maia, que viajou quatro horas de barco para chegar ao posto de saúde na cidade.

Previsão de melhora

O secretário de saúde de Thaumaturgo, José Maria Silva, disse que desde dezembro o município trabalha com apenas um médico no Programa de Saúde da Família. Segundo ele, mais quatro profissionais já foram selecionados pelo Programa Mais Médicos e estão sendo aguardados para suprir a carência nas unidades de saúde.

“Pelos últimos contatos que tivemos com representantes do Ministério da Saúde é que provavelmente no final do mês de março se normalize, porque já foi contemplado com 4 médicos, mas ainda falta eles fazerem o acolhimento em Brasília. Então nós estamos dependendo totalmente desse situação desses médicos”, afirmou o secretário.

Fonte: G1