Moradores dos bairros vizinhos à área de preservação ambiental Lagoa dos Índios, na Zona Oeste de Macapá, estão ansiosos para a chegada do período de chuvas. É que, segundo eles, está difícil viver com as queimadas diárias, que ocasionam doenças respiratórias. Mas a região não é a única que sofre com a fumaça que invade as casas.

O setor de estatísticas do Corpo de Bombeiros Militar do Amapá não tem dados específicos do número de focos de incêndio na Lagoa dos Índios, mas em todo o estado, entre os meses de julho e outubro, a corporação identificou 296 notificações em área de vegetação em 2017. Não houve variação significativa em relação ao mesmo período do ano passado, que registrou 290 casos.

O comparativo entre os dois anos aponta que a Zona Norte de Macapá foi a que registrou maior número de incêndios, com 63 em 2016 e 70 este ano. Na sequência, o Centro da cidade aparece com 60 ocorrências.

Santana, o segundo maior município do estado, registrou 52 casos no ano atual. Ressaltando que os dados se referem apenas às ocorrências atendidas pelo Corpo de Bombeiros. A Lagoa dos Índios é considerada um dos pontos críticos.

“Atendemos as ocorrências que podem afetar imóveis. Na Lagoa dos Índios esse fenômeno das queimadas ocorre todos os anos e é difícil de combater porque os focos são diários e constantes no campo. Mas a população pode avisar casos de perigo pelos contatos 190 e 193, que iremos até o local”, informou a capitã Ana Lobato.

Elaine Souza, de 18 anos, está grávida de seis meses do segundo filho. Ela é moradora do bairro Marabaixo 4, bem próximo da lagoa, e diz que onde mora a fumaça entra espessa nas casas.

“Moro numa área de ressaca e minha casa recebe toda a fumaça. Dá pra tocar nela de tão forte. Minha gravidez é de alto risco, então vivo em postos de saúde. Não bastava isso, temos que conviver com pessoas que jogam carniça e todo tipo de lixo na área de trás e tocam fogo. É um fedor horrível, que sufoca. À noite é muito pior”, conta.

A empresária Dora Amanajás, de 60 anos, mora numa chácara às margens da reserva ambiental. Um dos incêndios ocorridos no mês de outubro por pouco não alcança a casa dela.

“Só quem vive nessas redondezas sabe. Por pouco o fogo não chegou em casa, mas Deus é pai. Quero que comece a chover para dar uma amenizada no fogo e melhorar a qualidade do ar, porque no momento o que estamos inalando está nos deixando doentes”, falou.

De acordo com o Bombeiros, entre as causas dos incêndios estão o clima seco e os ventos fortes que ajudam o fogo a se alastrar rapidamente. Somado a esse fato têm as pessoas que tocam fogo em entulho, lixo e em áreas para plantação de roças. Pontas de cigarro jogadas em beiras de estradas ou em lugares de vegetação densa é outro problema destacado.

“Ocorre também de as pessoas tentarem primeiro apagar o incêndio e, quando não conseguem, acionam o Corpo de Bombeiros, quando as chamas já se alastraram muito. Há também denúncias anônimas de que muitos utilizam da queima para afugentarem animais silvestres para fins de caça”, finaliza a capitã Lobato.

Fonte: G1