Por Roberta Giacomoni e Kleber Tomaz, TV Globo e G1 SP — São Paulo

Adson aparece ao lado de carro de luxo e bebida em Mônaco em seu Instagram — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal/Instagram     O falso policial que foi assunto nacional há alguns anos, ao ser preso sob suspeita de ter cometido uma série de ataques sexuais contra 26 mulheres em bairro nobre de São Paulo, acabou condenado pela Justiça por estuprar e roubar nove das vítimas. Cabe recurso.

Adson Muniz Santos recebeu penas que, somadas, totalizam 59 anos e oito meses de prisão em regime fechado pelos crimes praticados contra as mulheres entre os anos de 2016 e 2017. As informações são do Tribunal de Justiça (TJ) e da defesa do empresário, que sempre negou todas as acusações.

Das nove condenações contra Adson, seis são por estupros, sendo que algumas delas ainda têm roubo, extorsão, sequestro e abuso de poder. As outras três condenações foram por importunação sexual, ameaça e falsidade ideológica. Adson ainda foi absolvido de uma acusação de estupro e teve ao menos um dos casos arquivados, segundo sua defesa (veja tabela abaixo).

Outra condenação foi confirmada em outubro de 2019: 18 anos e seis meses por estupro, roubo e extorsão. Adson foi acusado de atacar outra mulher nos Jardins, no dia 6 de outubro de 2017.

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Defesa e acusação

À Justiça e à imprensa Adson sempre negou as acusações. Chegou inclusive e alegar transtorno mental e pediu tratamento para se “curar”.

“Ele [Adson] alega que tudo o que acontecia de [o sexo com as mulheres e o dinheiro delas] era de forma voluntária”, disse Ariovaldo. “Atualmente, o senhor Adson Muniz Santos não possui sentenças transitadas em julgado, ou seja, tecnicamente falando ainda é considerado inocente pelas imputações de crime ofertadas contra ele”.

Ainda de acordo com o advogado de Adson, os recursos que a defesa impetrou nas instâncias superiores da Justiça poderão anular as condenações. “Acredito que a verdade real deve sempre ser apresentada, independente se será ao juiz ou ao público.”

Segundo as acusações feitas pelo Ministério Público (MP) contra Adson, ele abordava as vítimas e cometia os crimes contra elas quase sempre da mesma maneira: se apresentando como policial federal e produtor de TV.

26 casos atribuídos a Adson Muniz Santos*

Datas dos ataques Crimes contra mulheres Situação atual
22 de dezembro de 2016 estupro e abuso de poder condenado em abril de 2019 a 9 anos de prisão
15 de abril de 2017 contravenção não informada
5 de maio de 2017 contravenção não informada
25 de maio de 2017 contravenção não informada
8 de junho de 2017 estupro absolvido
20 de junho de 2017 contravenção não informada
12 de julho de 2017 estupro condenado a 6 anos de prisão
25 de julho de 2017 contravenção não informada
18 de agosto de 2017 contravenção não informada
18 de agosto de 2017 estupro condenado a 1 ano e 2 meses de prisão
20 de agosto de 2017 estupro, roubo e sequestro condenado a 10 anos de prisão
2 de outubro de 2017 estupro condenado a 6 anos de prisão
3 de outubro de 2017 importunação sexual condenado a 3 anos de prisão
6 de outubro de 2017 falsidade ideológica não informada
6 de outubro de 2017 estupro responde a processo na Justiça
6 de outubro de 2017 estupro, roubo e extorsão condenado em outubro de 2019 a 18 anos e 6 meses de prisão
6 de outubro de 2017 estupro e falsidade ideológica não informada
6 de outubro de 2017 ameaça e abuso de poder condenado a 6 anos de prisão
6 de outubro de 2017 contravenção não informada
8 de outubro de 2017 falsidade ideológica condenado, mas a pena (que não foi informada) foi substituída por duas medidas restritivas (também não divulgadas)
10 de outubro de 2017 falsidade ideológica responde a processo na Justiça
10 de outubro de 2017 abuso de poder não informada
10 de outubro de 2017 falsificação não informada
10 de outubro de 2017 falsificação responde a processo na Justiça
10 de outubro de 2017 falsificação não informada
11 de outubro de 2017 sequestro e falsidade ideológica não informada

O que diz a vítima

“Ele [Adson] ainda tem os outros casos todos que esperamos que ele seja condenado. Porque é um criminoso”, disse ao G1 o advogado Daniel Bialski, que defende uma das vítimas do falso policial.

Ela ainda relatou que Adson a obrigou a sacar R$ 1 mil de um caixa eletrônico e dar ele, que pegou o relógio, brincos e colar que usava. Posteriormente, o homem falou que os dois iriam a um motel para transar e assumiu o volante do carro da vítima, que decidiu saltar do automóvel quando este parou num semáforo. A mulher saiu correndo e pediu ajuda num bar. O agressor abandonou o carro e fugiu a pé.

Adson foi preso pela polícia cinco dias depois do crime. “É um maníaco. É alguém que abusava da inocência das mulheres e usava de graves ameaças, com simulacro de arma de fogo, dizia que era da polícia para poder se aproveitar”, afirmou o advogado Bialski

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A polícia recebeu diversas vítimas de estupro, roubo, sequestro, extorsão e falsidade ideológica, crimes que teriam sido praticados contra elas por um homem que se apresentava como produtor de TV e policial federal. Fotos dele foram divulgadas e compartilhadas por elas nas redes sociais para ajudar a identifica-lo.

Falso policial é suspeito de roubar e estuprar mulher nos Jardins

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Vídeos gravados por câmeras de segurança de um hotel e de um estacionamento mostram o momento em que Adson aborda, respectivamente, uma candidata a atriz, e uma motorista (veja acima). Os casos ocorreram nos dias 2 e 6 de outubro de 2017.

A partir da identificação e prisão do suspeito, no dia 11 de outubro de 2017, a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) centralizou as investigações de todos os casos.