Suspeito do crime de janeiro de 2018 é usuário contumaz de drogas, principalmente cocaína, segundo laudo pericial do Instituto Médico Legal de SP.
Por Léo Arcoverde, GloboNews

Mulher é empurrada para trilho do Metrô de SP durante a chegada do trem

O homem que empurrou uma mulher para o trilho do Metrô no momento em que o trem chegava à estação Conceição, da Linha 1-Azul, na Zona Sul de São Paulo, em janeiro de 2018, “não evidencia sintomas psicóticos ou comprometimento do juízo de realidade”. É o que aponta laudo pericial elaborado pelo Núcleo de Clínica Médica, do Instituto Médico Legal de São Paulo (IML-SP), obtido com exclusividade pela GloboNews.

O suspeito do crime, o faxineiro Sebastião José da Silva, de 55 anos, foi preso em flagrante e segue na cadeia até hoje. Em depoimento à polícia logo após a prisão, ele justificou a atitude afirmando que ouviu vozes.

A vítima é Jussara Araújo de Souza. A queda dela foi registrada por uma câmera do circuito interno do Metrô. A mulher machucou apenas o braço.

Em entrevista ao G1 dias após ser empurrada, Jussara afirmou: “Morri! No que eu vi eu já estava lá embaixo. Quando senti o baque fui olhar e senti os vagões passando por cima de mim”, afirmou Jussara (veja no vídeo abaixo). Ela descreveu que sentiu um empurrão e caiu de frente, com a cara no chão. “Caí com a cabeça na minha bolsa. Minha bolsa me salvou. É muito barulho, muita poeira, muito quente. Se não fosse Deus eu não estava viva para contar a história.”

Mulher empurrada em Metrô de SP diz que sentiu vagões passando sobre ela

Drogas
O laudo pericial aponta também, com base no relato do próprio acusado, que ele usou drogas um dia antes do crime. “O examinado informa que havia usado drogas desde o dia anterior da data dos fatos, ‘não sabia o que fiz… não estava em mim’. Enfatiza que não se recorda dos detalhes do fato, não informa motivação, quando questionado repete que estava sob ‘uso de drogas’.”

O documento cita ainda que o faxineiro é “usuário contumaz de drogas, principalmente cocaína”. “O relato do examinado tanto neste exame quanto o registrado no Boletim de Ocorrência no. 61/2018 sugerem que ao tempo dos fatos o examinado estivesse sob efeito de drogas e não fosse inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Não há entretanto outra fonte de dados que não os oferecidos pelo examinado. Não faz tratamentos no momento, segundo informa. Do acima exposto e com as informações de que dispomos até o momento da finalização deste documento o examinado é usuário contumaz de drogas, principalmente cocaína”, diz um trecho do documento.

Próximos passos
Elaborado no dia 22 de setembro deste ano (1 ano e 8 meses após o crime), o exame de sanidade mental já foi juntado ao processo criminal aberto pela Justiça contra o faxineiro, na 1ª Vara do Júri de São Paulo.

Nem o Ministério Público Estadual nem a Defensoria Pública, que atua em favor do faxineiro nesse processo, se pronunciaram sobre esse documento. O réu deve ser interrogado após essa manifestação das duas partes.

Ainda não há definida para essas próximas fases do processo ocorrerem. Ao fim dessas fases, a Justiça decidirá, em primeira instância, se o faxineiro deve responder pelo crime de tentativa de homicídio (nesse caso, ele vai a júri popular), ou cumprir medida de segurança. Isso ocorrerá se houver o entendimento de que, na época do crime, o réu era incapaz de entender o caráter ilícito do fato. Um dos tipos de medida de segurança previstos em lei é a internação em hospital de custódia.

Ilustração mostra o vão entre os trilhos do Metrô, lugar para onde mulher foi empurrada — Foto: Alexandre Mauro/G1Ilustração Ilustração mostra o vão entre os trilhos do Metrô, lugar para onde mulher foi empurrada — Foto: Alexandre Mauro/G1